quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Links para debate a ser realizado | Eleições municipais de São Paulo/2012

Endereços para discussão sobre os programas de governo apresentado pelos partidos que disputam as eleições para a prefeitura de São Paulo.

http://www.dmptsp.org.br/

http://serra45.com.br/

http://www.soninha.com.br/

http://www.chalita.com.br/

http://giannazi50.com.br/

http://celsorussomanno.com.br/


http://www.pstu.org.br/eleicoes2012/?p=1539


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Carlos Gianazzi (PSOL)
http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2012/08/21/tv-estadao-candidatos-apresentam-suas-propostas-para-sao-paulo/

Anaí Caproni (PCO)
http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2012/08/24/tv-estadao-anai-caproni-pco-apresenta-suas-propostas-para-sao-paulo/

José Serra (PSDB)
http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2012/08/21/tv-estadao-levy-fidelix-prtb-apresenta-propostas-para-sao-paulo/

Fernando Haddad (PT)
http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2012/08/30/tv-estadao-fernando-haddad-apresenta-suas-propostas-em-sao-paulo/

Gabriel Chalita (PMDB)
http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2012/08/27/tv-estadao-gabriel-chalita-pmdb-apresenta-suas-propostas-para-sao-paulo/

José Eymael (PSDC)
http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2012/08/24/tv-estadao-jose-eymael-psdc-apresenta-suas-propostas-para-sao-paulo/

Soninha Francine (PPS)
http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2012/08/28/tv-estadao-soninha-francine-pps-apresenta-suas-propostas-para-sao-paulo/

Miguel Manso (PPL)
http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2012/08/23/tv-estadao-miguel-manso-ppl-apresenta-suas-propostas-para-sao-paulo/

Paulinho da Força (PDT)
http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2012/08/21/tv-estadao-paulinho-da-forca-pdt-apresenta-propostas-para-sao-paulo/

Celso Russomanno (PRB)
http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2012/08/29/tv-estadao-celso-russomanno-prb-apresenta-suas-propostas-para-sao-paulo/

Levy Fidelix (PRTB)
http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2012/08/21/tv-estadao-levy-fidelix-prtb-apresenta-propostas-para-sao-paulo/

sábado, 1 de setembro de 2012

9º ANO: FEIRA CULTURAL |

"Crianças... aprendem o que a 'gente' ensina"

"(...) Crianças não nascem más
Crianças não nascem racistas
Crianças não nascem más
Aprendem o que
A gente ensina (... )
"
Alexandre Carlo (Natiruts)

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Queridos alunos e alunas do H.C. segue como prometido o texto para reflexão que ilustra os pontos discutidos em sala de aula.


Para acessar o texto de Cynara Menezes A era do pós gênero? para reflexão sobre a transmissão cultural e a criação de hábitos culturais clique no endereço abaixo:

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Abaixo outro excerto que permite a mesma reflexão. Paira sobre o caso das irmãs uma dúvida acerca da veracidade dos fatos.

TELLES, A Xavier. Estudos Sociais. São PAulo, Nacional, 1969. Vivendo com lobos (texto adaptado)

Duas meninas, Amala e Kamala, foram descobertas em 1921, numa caverna da Índia, vivendo entre lobos. Essas crianças, que na época tinham quatro e oito anos de idade, foram confiadas a um asilo e passaram a ser observadas por estudiosos. Amala, a mais jovem, não resistiu à nova vida e logo morreu. A outra, porém, viveu cerca de oito anos.

Ambas apresentavam hábitos alimentares bem diferentes dos nossos. Como fazem normalmente os animais, elas cheiravam a comida antes de toca-la, dilaceravam alimentos com os dentes e faziam pouco uso das mãos para beber e comer. Possuíam aguda sensibilidade auditiva e o olfato desenvolvido. Locomoviam-se de forma curvada, com as mãos apoiadas no chão, como o fazem os quadrúpedes. Kamala levou seis anos para andar de forma ereta. Notou-se também que a menina não ficava a vontade na companhia de pessoas, preferindo o convívio com os animais, que não se assustavam com sua presença e pareciam até entendê-la.
Adaptado de: A. Xavier Telles. Estudos Sociais. São Paulo, Nacional, 1969, p.115-116.

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Retirado do sítio da Globo em 12 de setembro de 2012.

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Retirado do sítio da Globo em 17 de outubro de 2012.

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Retirado do sítio do Terra em 23 de abril de 2012.

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Camaro Amarelo
Munhoz & Mariano
Agora eu fiquei doce, doce, doce, doce
Agora eu fiquei dodododo doce, doce

Agora eu fiquei doce, doce, doce, doce.
Agora eu fiquei dodododo doce, doce.

E agora eu fiquei doce igual caramelo,
To tirando onda de Camaro amarelo.
E agora você diz: vem cá que eu te quero,
Quando eu passo no Camaro amarelo.

Quando eu passava por você,
Na minha CG você nem me olhava.
Fazia de tudo pra me ver, pra me perceber,
Mas nem me olhava.

Aí veio a herança do meu "véio",
E resolveu os meus problemas, minha situação.
E do dia pra noite fiquei rico,
"To" na grife, "to" bonito, "to" andando igual patrão.

Agora eu fiquei doce igual caramelo,
To tirando onda de Camaro amarelo.
E agora você diz: vem cá que eu te quero,
Quando eu passo no Camaro amarelo.

E agora você vem, né?
Agora você quer.
Só que agora vou escolher,
Tá sobrando mulher.

E agora você vem, né?
Agora você quer, ha.
Só que agora vou escolher,
Tá sobrando mulher.

Quando eu passava por você
Na minha CG você nem me olhava.
Fazia de tudo pra me ver, pra me perceber,
Mas nem me olhava.

Aí veio a herança do meu "véio",
E resolveu os meus problemas, minha situação.
E do dia pra noite fiquei rico,
"To" na grife, "to" bonito, "to" andando igual patrão.

Agora eu fiquei doce igual caramelo;
"To" tirando onda de Camaro amarelo.
Agora você diz: vem cá que eu te quero;
Quando eu passo no Camaro amarelo.

E agora você vem, né?
Agora você quer.
Só que agora vou escolher,
"Tá" sobrando mulher.

E agora você vem, né?
Agora você quer.
Só que agora vou escolher,
"Tá" sobrando mulher.

Agora eu fiquei doce igual caramelo;
"To" tirando onda de Camaro amarelo.
E agora você diz: vem cá que eu te quero,
Quando eu passo no Camaro amarelo.

E agora eu fiquei doce, doce, doce, doce.
E agora eu fiquei dodododo doce, doce.

E agora eu fiquei doce, doce, doce, doce.
E agora eu fiquei dodododo doce, doce.


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Propagandas de carros
http://www.youtube.com/user/hyundaibr/featured?v=fFD0r4ZqTHU

Mulher apresentada como aquela que cobiça a coisa alheia.
http://www.youtube.com/watch?v=UzxGYvj-3Bs&feature=BFa&list=UUWtgghWvwXU-XLmHT0Uep_g

Carro como objeto intermediário indispensável entre a relação de homens como mulheres, com destaque ao condição privilegiada que possuir um carro de última geração lhe dá em comparação a um de linha antiga.
http://www.youtube.com/watch?v=C4JEtrgV2z4

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Documentário | LUZ BRANCA, CHUVA NEGRA: A Destruição de Hiroshima e Nagazaki

Luz Branca, Chuva Negra: A destruição de Hiroshima e Nagazaki.
Direção:  Steven Okazaki
Produção: HBO Documentaries
86', cor, 2007.

Em breve comentários sobre o documento.

Clique na imagem para abrir o vídeo.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

JOGOS: SUSHI GO ROUND


Maravilhoso jogo que irá testar a sua capacidade de memorização e agilidade.

Basicamente ele é bem simples. Há receitas de tipos de pratos da cozinha japonesa e um cardápio que lhe diz quais os ingredientes que compõem o mesmo.

Memorizada a receita, basta servir aos clientes os pratos que eles solicitam, selecionando os ingredientes necessários e clicando na esteira para que a mesma forme os rolinhos.

Se errar a seleção dos ingredientes os clientes terão uma surpresinha que você deve privar os mesmos de observarem, dado que, a paciência deles vai diminuindo. Esta, a paciência, também vai caindo, quanto maior for o tempo de espera que você submeter aos clientes.

Enfim, se servir bem aos clientes terá de tirar também os pratos da mesa, para dar lugar a novos e atingir as metas do jogo.

Boa diversão! Ótimo desafio! ^ ^

Para jogar clique na imagem abaixo.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

9º ANO: Feira Cultural

Documento para análise.

Domentário: CONSUMING KIDS - The commercialization of childhood (EUA, 2008, 66min. Direção: Adriana Barbaro, Jeremy Earp)



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QUESTIONÁRIO: Etapa de pesquisa para o trabalho da Feira Cultural (Produzido pelo professor Alek)
 
Documentário: CONSUMING KIDS - The commercialization of childhood (EUA, 2008, 66min. Direção:Adriana Barbaro, Jeremy Earp)

1) O documentário Consuming kids é claramente pontuado por 8 tópicos (capítulos). Quais são eles?

2) A investigação sobre o marketing direcionado para as crianças é feito em qual país?

3) Qual a posição da FTC (Federal Trade Commission) sobre o marketing direcionado para crianças?

4) Qual a posição do Congresso Estadunidense em 1979 em relação a decisão da FTC em promover uma proteção as crianças proibindo o marketing direcionado as mesmas?

5) O Congresso brasileiro já tomou alguma decisão para proteger as crianças da agressividade do marketing?

6) Porque as crianças são uma “fatia” do mercado consumidor com grande visibilidade para o marketing das grandes corporações?

7) Com a desregulamentação do marketing infantil no governo Reagan o que aconteceu com o faturamento das grandes corporações?

8) Qual o lugar da televisão no marketing infantil?

9) Qual é o significado de Placement no documentário Consuming Kids? Podemos elencar algum exemplo parecido no Brasil?

10) Porque a especialista SUSAN LINN diz que: "devemos parar de pensar em marketing infantil como simples comerciais”.

11) Qual o objetivo de uma grande corporação fazer com que uma criança crie uma ficha cadastral na internet para mapeá-la?

12) "Não são apenas produtos que estão sendo ofertados às crianças, mas valores" Quais são os valores, que a especialista SUSAN LINN, está se referindo?

LEIA COM ATENÇÃO
"E as meninas estão sendo ensinadas que elas precisam ser bonitas, sexys, e o que elas compram determinam seu valor e a maneira como elas aparentam determinam seu valor” DIANE LEVIN, Ph.D. Professora de Educação do Wheelock College.

"Com os garotos vemos o mesmo padrão. Enquanto em certo nível, os marketeiros tem focado muito nos meninos pequenos com mensagens adultas, mensagens que os comparam com um homem agressivo, durão e violento. Os meninos hoje estão imersos num mundo completamente diferente (...) Com os meninos vemos o uso de imagens de violência, poder, dominação, já em pouca idade" JULIET SCHOR, Ph.D.; Autora de Born to Bill.

"A quantidade de Violência, na diversão que as crianças jovens estão expostas, é surpreendente. Elas estão recebendo a mensagem que para quando estiverem em situação de conflito, devem lutar com violência, que devem lutar agressivamente para resolver suas diferenças... e (para as crianças) olhar a violência é divertido. É um entretenimento"
Nancy Carlsson-Paige, Professora de Educação da Lesley University.

Tendo em vista os 3 excertos acima e após assistir ao documentário como você tentaria resolver o seguinte questionamento: Você é aquilo que quer ou você é aquilo que querem que você seja?

13) Qual: a) o argumento do documentário; b) e quais são as fontes usadas no documentário para reforçarem tal argumento?

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Dôssie 2º Guerra Mundial: Documentos

Propaganda de Guerra

Breves considerações
Seguem abaixo alguns documentos estadunidenses para análise. Foram todos produzidos dentro do contexto histórico da Segunda Guerra Mundial. Cada qual possui particularidades que merecem ser analisadas. Em suma, todos cumprem bem o papel da propaganda de guerra e podemos considerar que tinha como alvo prioritário atingir um público infantil, embora o seu alcance estenda-se para além deste.

Vale atenção especial à animação The Blitz Wolf (MGM | 1942) e Popeye the Sailor (1943) e a forma como o cotidiano da guerra, um evento de consequências drásticas, é amenizado pelo recurso do humor. Chega a ser vexatório imaginar tal conteúdo sendo encaminhado prioritariamente para um público infantil, dado que, a guerra aparece como brincadeira. Condição apropriada para atingir o público que se pretende, sem que o mesmo saia chocado. Deste modo, por exemplo, as bombas que destroçam vidas em The Blitz Wolf, sem discriminar condição de qualquer natureza, ganham utilidades variadas que pretendem obscurecer com o riso aquilo que realmente elas produzem.

Do mesmo modo, o marinheiro Popeye entrou de "sola" na guerra do Pacífico. Vale destacar que a forma profundamente preconceituosa como são retratados os "japoneses" na animação, sem dúvida estimulou uma perseguição dos mesmos na "terra da liberdade e da democracia", dado que, figuram como "boicotadores" não dignos de confiança.

Por fim, a violência acaba sendo justificada pela ações dos próprios rivais. Aliás, este é um comum que todas as animações abaixo partilham.

Autoria do texto: Professor Alek Sander de Carvalho
Permitida a reprodução desde que não usada comercialmente e citada a fonte.

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Donald Duck - "Der Fuehrer's Face" (1943)



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Education for Death (1943)
Lançado em 15 de janeiro de 1943 pela RKO Pictures nos cinemas estadunidenses. Foi dirigido pelo ítalo-americano Clyde Geronimi e é baseado no livro Education for Death: The Making of the Nazi (Educação para a morte: a construção dos nazistas) de Gregor Ziemer. (Fonte Wikipedia)



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The Blitz Wolf (1942)
Produzido pelos estúdios MGM, com a direção de Tex Avery.



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  Popeye the Sailor - Seein' Red, White n' Blue (1943)


terça-feira, 17 de julho de 2012

Teatro de Mamulengo por Elton Maioli.

Trabalho realizado pelo Mamulengo da Folia, filmado e editado pelo grande amigo e excelente ser humano Elton Maioli sobre o Teatro de Mamulengo.



Realizado em julho de 2011 evento aberto ao público com debates e apresentações desse tradicional brinquedo.

Realização: Mamulengo da Folia -
Registro Audiovisual: Alvo Video All

domingo, 8 de julho de 2012

Estudo de Meio: Exposição do mural "Guerra e Paz" de Cândido Portinari (20 de março de 2012)

Estudo de Meio
Local: Memorial da América Latina - Exposição Guerra e Paz.
Data: 20 03 2012
Turmas: 8º, 9º anos e 1º, 2º e 3º Médio.
Professores: Alek ("euzin"), Diego, Prêo e Vilma (coordenadora)


Da esquerda para a direita: - Em pé: Bruno, Profº Diego, Isabela, João, Fernanda, Amanda, Vitória, Ellen, Alek (sou eu!), coord. Vilma; - Sentados ou deitados: Guilherme, Leonardo e Bárbara.

No dia 20 de março de 2012 fizemos uma visita ao Memorial da América Latina com o Colégio Paulista. Com isso tivemos a oportunidade de entrarmos em contato com uma obra de arte ímpar de um dos maiores gênios da pintura mundial, no caso, Cândido Portinari.

Dada a excepcionalidade da exposição, nós do corpo docente e a coordenadora, achamos por bem estendermos a visita para o ensino fundamental II e médio. Sem dúvida um prato cheio para este professor e historiador que vos fala.

Não de outro modo, fiz uma breve introdução sobre a edificação do Memorial da América Latina e Oscar Niemeyer. No Salão dos Atos (prédio que faz parte do complexo edificado do Memorial da América Latina) vimos, não só o excepcional mural "Guerra e Paz", como também um ótimo vídeo, que direcionava o olhar dos observadores, a detalhes trabalhados por Portinari em sua obra.

Por sua vez, na Galeria (outra edificação que integra o complexo do Memorial) tivemos a oportunidade de observar as etapas de produção do mural "Guerra e Paz" da obra finalizada que tínhamos acabado de observar no Salão dos Atos. Vimos literalmente as "idéias" de Portinari ganhando forma. O esboço sendo transformado e ganhando cada vez mais, com o passar do tempo, traços nítidos.

Um prato cheio do qual nos deliciamos, dada a oportunidade que tive de discutir e construir o processo de criação de uma obra artística, correntes artísticas e estilo, a geração dos modernos, entre outros.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

para o 7º ano: História de Roma Antiga (texto provisório. Falta a inserção de imagens)

Rômulo e Remo: O mito fundador de Roma.

Busto do poeta Virgílio (70 a.C. à 19 a.C.) na entrada de sua tumba, em Napoles.

O poeta romano Virgílio e o historiador Tito Lívio encarregaram-se de imortalizar a lenda que narra a fundação de Roma.

Segundo essa lenda, Roma foi fundada por Rômulo, cuja origem remonta a Guerra de Tróia. Há no mito, sobre a fundação de Roma, muitas coisas importantes para pensarmos.

Mas antes de falarmos sobre ela... o que é isto que chamamos de Roma?

Bem, hoje, quando pensamos em Roma, imediatamente surgem em nossa memória as mais diversas coisas. Lembramos das lutas de gladiadores e de um filme que assistimos a respeito. Do jogo de estratégia para computador de nome Age of Empire, do Coliseu e do Imperador Nero, que ficou famoso por ter incendiado, segundo o que dizem, Roma. Lembramos também de Júlio César e seu assassino Brutus, entre outras importantes ou curiosas coisas.


Só nos esquecemos, que quando contamos a história de Roma Antiga (pricipalmente a sua parte Ocidental) que abrange os séculos VIII a.C. até aproximadamente o século V d.C, não estamos necessariamente falando da Itália.

A Itália, que hoje é um país, peninsular e banhado pelo mar Mediterrâneo, só surgiu no século XIX. É um país, portanto, tão jovem quanto o Brasil.

Por sua vez, Roma (como você pode observar no Mapa), inicialmente não era mais do que uma pequena cidade-estado, que vai fazer valer o seu poderio militar e político por vários séculos na região Mediterrânea.

O mapa abaixo é um exemplo sobre o minúsculo tamanho de Roma na época de sua origem. Observe:




Bem, podemos dizer muitas coisas sobre o mapa! Já observaram as suas cores? Ou melhor, o que elas representam? Está lançado o desafio, depois eu quero a resposta em sala, nobres investigadores e investigadoras do passado.

Vamos agora nos ater ao mito que conta a fundação daquilo que se tornaria séculos depois um Império, no caso, Roma.

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Loba Capitolina amamentando os irmãos Rômulo e Remo.

O mito fundador de Roma
O texto abaixo é um resumo adaptado para a leitura de alunas e alunos.

A história que funda a história dos romanos da antiguidade começa com Enéias, filho da deusa Afrodite (Vênus) e um dos príncipes da cidade de Tróia.

Para àquele ou aquela que têm boa memória, não será difícil lembrar que Enéias foi um importante herói troiano, que após a guerra contra os gregos, acabou se obrigando a fugir, para preservar a sua vida.

Deste modo, Enéias, aquele que comandou os dardâneos na guerra de Tróia, buscou reerguer a sua vida longe dos gregos e junto de seus companheiros, se instalou na foz do rio Tibre, na Itália.
 
Rio Tibre, localizado na península Itálica.
Fonte: http://fr.academic.ru/dic.nsf/frwiki/1635582

Ali Enéias se casaria com Lavínia, filha do chefe de uma tribo dos latinos. Após o casamento o mesmo fundaria uma cidade, a partir da qual os seus descendentes fundaram Alba Longa.

Esta foi governada por Numitor até o momento em que o seu irmão, Amúlio, se dispôs e teve sucesso em roubar o trono do irmão mais velho.

Amúlio faria coisa ainda pior, como matar todos os descentes homens de Numitor. Queria o ambicioso rei impedir que um filho ressentido da perda do pai Numitor, viesse a recuperar futuramente o trono, que ele Amúlio roubara.

Dentre todos os filhos de Numitor que foram mortos, Amúlio preservou somente a sobrinha, chamada Réia Silvia, mas tomou o cuidado de garantir que ela não viesse a ter filhos, transformando-a em vestal (sacerdotisa da deusa Vesta).

No entanto, seduzida por Marte (o deus da Guerra), Réia Silvia daria luz à dois gêmeos, os irmãos Rômulo e Remo.

Amúlio temendo que os gêmeos heróis, filhos de um deus, pudessem tomar seu lugar, não teve a coragem de matá-los, pois temia a ira do deus Marte. Ainda sim deixou a fortuna decidir sobre o destino das crianças e mandou atirá-los no rio Tibre.

Rômulo e Remo se salvaram por um milagre e foram amamentados, em longa data, por uma loba que vivia à margem do rio.

Anos mais tarde foram encontrados e criados por um casal de pastores. Faustolo e a esposa, não mediram esforço e foram os responsáveis pela guarda e educação das crianças.

Quando adultos, Rômulo e Remo, cientes de sua história, reconquistaram o trono de Alba Longa para o seu avô, Numitor, que em contrapartida permitiu aos mesmos a fundação de uma cidade por volta de 753 a.C..

Na guerra entre os irmãos pela fundação e governo dessa cidade, Rômulo saiu-se vencedor e matou Remo. Nascia assim Roma, de origem divina e sob o signo da guerra.



Autoria e adaptação: Professor Alek Sander de Carvalho
Texto reelaborado a partir de original postado em 11/10/2010.


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Exercícios
O bom observador notará que na passagem, que conta o mito da fundação da então cidade-estado de nome Roma, há nomes próprios destacados.


Responda, então:

1) Quais nomes são estes?

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2) Qual a relação entre os mesmos? Escreva com as suas próprias palavras.
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3) Quais elementos presentes nisto que nós atualmente chamamos de mito da criação da cidade de Roma, podem significar aspectos importantes da cultura romana? Em outras palavras, qual a personagem que representa a ligação da cultura romana com a dos gregos da antiguidade? Ainda, como podemos explicar, a partir do mito, o fato de serem os romanos um povo voltado para a guerra?
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Conclusão
Como vimos, acima, os romanos possuem um mito que conta a sua origem. Todos os povos possuem os seus mitos.

Todo mito é como se fosse um marco zero. Você conhece algum?

Bem, se você já foi ao nosso centro da cidade encontrará lá, em frente, a Catedral da Sé, o nosso marco zero.

Um marco zero este nome porque é a partir dele que as dimensões do nosso município são contadas.

Para entender melhor faça o mesmo com a sua Casa!


Escolha um marco dentro da sua casa. No geral, um marco é sempre algo representativo e importante para alguém ou um grupo. Eu, por exemplo, escolheria ou a geladeira ou o sofá.

Enfim, a partir do marco que você escolher tire as medidas da sua Casa.

Com a cidade de São Paulo acontece a mesma coisa, só que é claro, ela é bem maior que o seu quarto. Com o nosso marco em frente à Catedral da Sé, não é por acaso, que chamamos aquela região de centro.

Afinal, se eu digo que você está no centro, significa que todos voltam a atenção para você. Deste modo, quem criou o marco zero na Sé, o fez, para que, a sua população voltasse a sua atenção para aquela região. Adianto para vocês, mas não digo mais nada, senão deixo de falar dos romanos, mas no centro da cidade de São Paulo você poderá encontrar o mito que foi criado por alguns homens do passado e que contam a fundação da nossa cidade.

Como você o acharia? Muito simples e podemos começar assim: buscando nas esculturas, edifícios e pinturas aquilo que se repete.

E aí, você topa este desafio? Se topar me faça a surpresa e me entregue em forma de trabalho que eu lhe dou a nota merecida!

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Agora é a vez daquela ótima pergunta: Porque estudamos os romanos?

Se o objetivo do nosso grande desafio é descobrir tudo aquilo que contribuiu para formar aquela linda foto do início da apostila, teremos inevitavelmente de falar sobre os romanos.

Vamos, então, fazer uma arqueologia da nossa língua tentando achar vestígios dos romanos.


“Nossa, realmente deve ter tudo a ver, um romano e um brasileiro!”, diria você. Vamos ver algumas palavras que podemos pegar de nossa língua, do italiano e do espanhol.

“Olá, como está você?”

“Ciao come stai?”

“Hola, como estas?”

Muito fácil entender todas elas não. E certamente você ficou espantado ao notar como há mais em comum entre elas do que diferenças.

Isto não acontece por acaso. Dá-se por algo que aconteceu há milhares de anos atrás, quando Roma e seu imenso exército, começou a fazer diversas conquistas territoriais na região do Mar Mediterrâneo.

Para entendermos esta expansão teremos de entender uma importante guerra dentro da História Antiga, no caso, as Guerras Púnicas.




Cole aqui o seu Mapa desenhado em papel vegetal da Itália.


Não esqueça de identificar no mesmo os continentes e os mares.





Cole acima o seu Mapa desenhado em papel vegetal da Itália.



Não esqueça de identificar no mesmo os continentes e os mares.


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A importância das Guerras Púnicas e a expansão do latim

em parte do continente europeu: o marco histórico.

Bom, como nós já aprendemos: uma guerra é como uma briga. Só que uma briga bem grande. Como ninguém briga sozinho (você sempre verá no mínimo duas pessoas brigando), com os romanos da antiguidade não foi diferente. Mas como surge uma briga ou uma guerra?

Se você se lembra bem, uma briga ou uma guerra surge sempre quando as duas partes que estão em desacordo não conseguem resolver os seus problemas dialogando. Deste modo, a briga ou a guerra é sempre a maneira mais violenta de se resolver um problema.

Do mesmo modo, há mais de 2100 anos atrás, uma guerra mudaria a história de Roma. Este conflito chamado de Guerras Púnicas seria um novo marco na história de Roma, pois a partir dela os romanos só conquistariam mais e mais terras, mais e mais povos. Coisa fácil de se compreender em um povo que se considera descendente do deus da guerra Marte (Ares).

Os púnicos (poeni) eram a forma que os romanos chamavam os fenícios na Antiguidade. Os fenícios eram um povo conhecido pela sua grande habilidade como navegantes e comerciantes. Habitavam diversas regiões litorâneas banhadas pelo mar Mediterrâneo.

Dentre estas regiões, podemos apontar uma importante cidade-estado conhecida como Cartago, que há 2100 anos atrás, era uma cidade muitíssimo rica. Tão rica que não é, por acaso, que em diferentes momentos históricos, gregos, egípcios e romanos tentaram conquistá-la.





Cole aqui o seu Mapa desenhado em papel vegetal da Ilha da Sicília e da cidade de Cartago no mesmo mapa.


Não se esqueça de identificar no mesmo os continentes e os mares.





Roma, que na época estava se tornando também uma forte cidade-estado, via com preocupação o crescente poder de Cartago. Seria como se o Palmeiras fizesse uma grande contratação, o que tornaria o seu elenco muito forte, e o Santos visse ameaçada a conquista dos seus títulos.

A razão do conflito entre ambas as cidades-estado, deu-se porque tanto o governo de Roma, como o governo de Cartago estavam interessados em controlar uma mesma ilha, no caso, a Sicília, mais ou menos, como duas crianças disputando um mesmo brinquedo.

Como nem o governo de Roma e tampouco o governo de Cartago estavam interessados em dialogar e, ainda para piorar a situação, ambas as cidades-estado eram rivais, ocorreriam as Guerras Púnicas.





Cole aqui o seu Mapa desenhado em papel vegetal da Ilha da Sicília e da cidade de Cartago no mesmo mapa.





Não se esqueça de identificar no mesmo os continentes e os mares.





Roma sairia vitoriosa das 3 grandes guerras que ocorreriam dentro de aproximadamente 100 anos.

Vitoriosa?

Mas até onde se vence uma guerra? Quantas são as mães que perdem os seus filhos e pessoas que perdem a sua vida? Quais são as pessoas que se beneficiam com a guerra e após ela?

Por exemplo, na batalha de Canas (236 a.C.) o cartaginês Aníbal comandando 100 mil homens, aniquilaria 60 mil romanos, com uma parte de sua tropa montando elefantes.

Por sua vez, o exército romano na última e derradeira batalha aniquila os cartagineses, escraviza os sobreviventes e deixa em ruínas a cidade habitada por milhares de pessoas.

Bom, encerro este bloco de estudo sobre Roma Antiga da seguinte forma, deixando com vocês a importante tarefa de encontrarem uma resposta para as questões colocadas logo acima. Vamos agora falar de um pouco mais da história dos romanos.



TAREFA: Responda e entregue o trabalho para o professor.
1) Até onde podemos considerar que um povo sai vitorioso em uma guerra?
2) Quantas são as mães que perdem os seus filhos e pessoas que perdem a sua vida?
3) Quais são as pessoas que se beneficiam com a guerra e após ela?

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Mais vestígios dos antigos romanos que encontramos em nossa cultura: República (uma das variadas formas do Estado).

Bom, se as Guerras Púnicas foram um importante marco dentro da história de Roma na Antiguidade, porque após a vitória sobre os grandes rivais os romanos estenderam os seus domínios para além do imaginável, levando os seus costumes e tradições, tal como, o latim que falavam para o contato com os povos e culturas das mais variadas.

Observe as notas de R$ 50 e R$ 100 reais.


Desafio: Em ambas você encontra o nome oficial do Brasil! Qual seria este nome?
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Bem, com o nome Brasil você está muito mais que acostumado. Nosso nome veio de uma árvore que os portugueses conheciam da Ásia, da qual era possível extrair uma tintura com a cor de brasa após a raspagem do seu tronco e da imersão em água quente. Agora com República Federativa, eu tenho certeza que não estão acostumados!

Conseguimos entender o sentido de alguma palavra, mesmo, às vezes, não sabendo exatamente o significado dela, pensando em algumas coisas as quais estamos acostumados a ouvir de pessoas, na televisão, escola, entre outros.

Por exemplo, a palavra Federativa. Todos já ouviram falar de Federação Paulista de Futebol; e o que é a Federação Paulista de Futebol? Basicamente é a associação de todos os clubes paulistas.

Mas no caso do Brasil quem estaria associado? Esta é fácil hein! Obviamente, todos os estados brasileiros e o distrito federal: Rio de Janeiro, Santa Catarina, Amapá, Sergipe, etc...

Bem, agora sabemos o significado das palavras Brasil e Federativa, mas qual seria o significado da palavra: República?

Uma das palavras que dá nome ao nosso país vem do latim, no caso, res publica = coisa do povo. Mas para ser sincero ela significa muito mais do que isto.


Você se lembra de quando estudamos o significado da palavra Estado? Pois, então, na época discutimos diversas coisas e chegamos à conclusão de que o Estado era um tipo de instrumento.

Um copo é um instrumento, que, no caso, serve principalmente para se beber algo. O Estado também é um instrumento, que, no caso, serve para governar.

Do mesmo modo como o copo é um instrumento que serve para ser usado por uma pessoa, o Estado também serve para ser usado ou por uma pessoa, ou por um grupo de pessoas.


DESAFIO: Vamos pensar então. Se um copo possui formas variadas poderíamos dizer que o Estado também possui formas variadas? O que você acha? Justifique muito bem a sua resposta.
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Note que todos os copos acima possuem formas variadas. Embora com formas tão diferentes, partilham alguma coisas em comum. Por exemplo, são todos instrumentos e, como tais, possuem um objetivo principal.

O objetivo principal dos copos é, portanto, servirem e realizarem a vontade de uma pessoa. Eles retêm líquidos e desta forma facilitam a ação de beber.

Tal como os copos, um Estado possui formas variadas. Ele pode ter a forma de uma monarquia, república, regime parlamentar, etc, etc, etc.

PARA CONCLUIR, voltando ao nome completo do nosso país! “- Quer dizer então que a palavra REPÚBLICA (de República Federativa do Brasil) diz respeito à FORMA do instrumento de governo da vida das pessoas que o nosso país tem?”

Sem dúvida.

Na nossa atual República brasileira as pessoas que utilizam o instrumento Estado são eleitas pelo povo brasileiro. E esta é a principal característica da forma do nosso Estado.

Note que em uma monarquia, por exemplo, as pessoas não elegem aqueles que controlam o instrumento Estado para lhes governar, pois o poder de usar este instrumento em uma monarquia é transmitido de pai para filho.

Roma em sua antiguidade deixou-nos este legado que foi depois reformulado muitos e muitos séculos à frente (em 1789) pelos franceses, no caso, o de possuir uma forma de Estado onde aqueles que governavam a vida do povo romano eram eleitos pelo próprio povo romano.

Bem, como não eram todos os cargos de governo do Estado Romano em sua antiguidade, que resultavam do voto, veremos com maiores detalhes as características mais marcantes desta forma de se decidir.

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segunda-feira, 26 de março de 2012

Material para análise - Da ditadura militar à abertura

CAETANO VELOSO
Alegria, Alegria.
Albúm: Caetano Veloso, 1967.

Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou...

O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou...

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot...

O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou...

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não...

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento,
Eu vou...

Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou...

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil...

Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou...

Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou...

Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...



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Interpretada por GILBERTO GIL e MUTANTES
Albúm: Tropicália, 1968.


Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba oh
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba
Bat Macumba ê ê, Bat Macum
Bat Macumba ê ê, Batman
Bat Macumba ê ê, Bat
Bat Macumba ê ê, Ba
Bat Macumba ê ê
Bat Macumba ê
Bat Macumba
Bat Macum
Batman
Bat
Ba
Bat
Bat Ma
Bat Macum
Bat Macumba
Bat Macumba ê
Bat Macumba ê ê
Bat Macumba ê ê, Ba
Bat Macumba ê ê, Bat
Bat Macumba ê ê, Batman
Bat Macumba ê ê, Bat Macum
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba oh
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá
Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá!



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GERALDO VANDRÉ
"Pra dizer que não falei das flores"
Apresentada em 1968 no III Festival Internacional da Canção

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer



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TOM ZÉ
Senhor Cidadão
Albúm: Se o caso é chorar, 1972.

Senhor cidadão
senhor cidadão
Me diga, por quê
me diga por quê
você anda tão triste?
tão triste
Não pode ter nenhum amigo
senhor cidadão
na briga eterna do teu mundo
senhor cidadão
tem que ferir ou ser ferido
senhor cidadão
O cidadão, que vida amarga
que vida amarga.

Oh senhor cidadão,
eu quero saber, eu quero saber
com quantos quilos de medo,
com quantos quilos de medo
se faz uma tradição?

Oh senhor cidadão,
eu quero saber, eu quero saber
com quantas mortes no peito,
com quantas mortes no peito
se faz a seriedade?

Senhor cidadão
senhor cidadão
eu e você
eu e você
temos coisas até parecidas
parecidas:
por exemplo, nossos dentes
senhor cidadão
da mesma cor, do mesmo barro
senhor cidadão
enquanto os meus guardam sorrisos
senhor cidadão
os teus não sabem senão morder
que vida amarga

Oh senhor cidadão,
eu quero saber, eu quero saber
com quantos quilos de medo,
com quantos quilos de medo
se faz uma tradição?

Oh senhor cidadão,
eu quero saber, eu quero saber
se a tesoura do cabelo
se a tesoura do cabelo
também corta a crueldade

Senhor cidadão
senhor cidadão
Me diga por que
me diga por que
Me diga por que
me diga porque



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CHICO BUARQUE
Vai trabalhar vagabundo
Albúm: Meus Caros Amigos, 1976. (Apresentada em 1973 para filme de mesmo nome).

Vai trabalhar, vagabundo
Vai trabalhar, criatura
Deus permite a todo mundo
Uma loucura
Passa o domingo em familia
Segunda-feira beleza
Embarca com alegria
Na correnteza

Prepara o teu documento
Carimba o teu coração
Não perde nem um momento
Perde a razão
Pode esquecer a mulata
Pode esquecer o bilhar
Pode apertar a gravata
Vai te enforcar
Vai te entregar
Vai te estragar
Vai trabalhar

Vê se não dorme no ponto
Reúne as economias
Perde os três contos no conto
Da loteria
Passa o domingo no mangue
Segunda-feira vazia
Ganha no banco de sangue
Pra mais um dia

Cuidado com o viaduto
Cuidado com o avião
Não perde mais um minuto
Perde a questão
Tenta pensar no futuro
No escuro tenta pensar
Vai renovar teu seguro
Vai caducar
Vai te entregar
Vai te estragar
Vai trabalhar

Passa o domingo sozinho
Segunda-feira a desgraça
Sem pai nem mãe, sem vizinho
Em plena praça
Vai terminar moribundo
Com um pouco de paciência
No fim da fila do fundo
Da previdência
Parte tranquilo, ó irmão
Descansa na paz de Deus
Deixaste casa e pensão
Só para os teus
A criançada chorando
Tua mulher vai suar
Pra botar outro malandro
No teu lugar
Vai te entregar
Vai te estragar
Vai te enforcar
Vai caducar
Vai trabalhar
Vai trabalhar
Vai trabalhar


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Albúm: CLUBE DA ESQUINA
Intérprete: Milton Nascimento.
Albúm: Clube da Esquina II, 1972.

Porque se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem se lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, asso, asso
Asso, asso, asso, asso, asso, asso
Porque se chamavam homens
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogênios
Ficam calmos, calmos
Calmos, calmos, calmos
E lá se vai mais um dia
E basta contar compasso
E basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração na curva
De um rio, rio, rio, rio, rio
E lá se vai...
E lá se vai...
E o rio de asfalto e gente
Entorna pelas ladeiras
Entope o meio-fio
Esquina mais de um milhão
Quero ver então a gente, gente
Gente, gente, gente, gente, gente.


http://www.youtube.com/watch?v=1VEZO53M0OA&feature=endscreen&NR=1

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BETO GUEDES
Sol de Primavera
Albúm: Sol de Primavera, 1980.


Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez
Já sonhamos juntos semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar
Já choramos muito, muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que venha nos trazer
Sol de primavera abre as janelas do meu peito
a lição sabemos de cor
só nos resta aprender...

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ULTRAJE À RIGOR
Inútil
Álbum: Nós vamos invadir sua praia, 1985. (Lançada originalmente em 1983)


A gente não sabemos
Escolher presidente
A gente não sabemos
Tomar conta da gente
A gente não sabemos
Nem escovar os dente
Tem gringo pensando
Que nóis é indigente...

"Inúteu"!
A gente somos "inúteu"!
"Inúteu"!
A gente somos "inúteu"!

A gente faz carro
E não sabe guiar
A gente faz trilho
E não tem trem prá botar
A gente faz filho
E não consegue criar
A gente pede grana
E não consegue pagar...

"Inúteu"!
A gente somos "inúteu"!
"Inúteu"!
A gente somos "inúteu"!
"Inúteu"!
A gente somos "inúteu"!
"Inúteu"!
A gente somos "inúteu"!
"Inúteu"!
A gente somos "inúteu"!
"Inúteu"!
A gente somos "inúteu"!

A gente faz música
E não consegue cantar
A gente escreve livro
E não consegue publicar
A gente escreve peça
E não consegue encenar
A gente joga bola
E não consegue ganhar...

"Inúteu"!
A gente somos "inúteu"!
"Inúteu"!
A gente somos "inúteu"!
"Inúteu"!
"Inúteu"!
"Inúteu"!
Inú! inú! inú...


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CAZUZA
Ideologia
Albúm: Ideologia, 1988.


Meu partido
É um coração partido
E as ilusões
Estão todas perdidas
Os meus sonhos
Foram todos vendidos
Tão barato
Que eu nem acredito
Ah! eu nem acredito...

Que aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Frequenta agora
As festas do "Grand Monde"...

Meus heróis
Morreram de overdose
Meus inimigos
Estão no poder
Ideologia!
Eu quero uma pra viver
Ideologia!
Eu quero uma pra viver...

O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs
Não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar
A conta do analista
Pra nunca mais
Ter que saber
Quem eu sou
Ah! saber quem eu sou..

Pois aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Agora assiste a tudo
Em cima do muro
Em cima do muro...

Meus heróis
Morreram de overdose
Meus inimigos
Estão no poder
Ideologia!
Eu quero uma pra viver
Ideologia!
Pra viver...

Pois aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Agora assiste a tudo
Em cima do muro
Em cima do muro...

Meus heróis
Morreram de overdose
Meus inimigos
Estão no poder
Ideologia!
Eu quero uma pra viver
Ideologia!
Eu quero uma pra viver..
Ideologia!
Pra viver
Ideologia!
Eu quero uma pra viver...


segunda-feira, 19 de março de 2012

Material para sensibilização

Material para sensibilização ao Estudo de Meio a Exposição Guerra e Paz de Cândido Portinari.

CANDIDO PORTINARI
Candido Portinari. O Mestiço, 1934.

Candido Portinari. O Lavrador de Café, 1934.

Candido Portinari. Café, 1934.

Candido Portinari. Retirantes, ?.

Candido Portinari. Tiradentes, 1948.

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1921
Desenho a carvão e giz/papel kraft
46 x 28cm (aproximadas)
Rio de Janeiro, RJ
Assinada e datada no canto inferior esquerdo "CPortinari 921"
Coleção particular, São Paulo,SP

O PROFESSOR RECOMENDA A VISITA:
Link para Guerra e Paz: http://www.guerraepaz.org.br/#/home
Link para o sítio oficial do Portinari: http://www.portinari.org.br/
Link para o Itaú Cultural: http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=121

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TARSILA DO AMARAL
Tarsila do Amaral. Operários, 1933.

Link para o sítio oficial da Tarsila do Amaral: http://www.tarsiladoamaral.com.br/index.html

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ALMEIDA JUNIOR
José Ferraz de Almeida Junior. Caipira picando fumo, 1893.

José Ferraz de Almeida. Violeiro, 1899.

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VICTOR MEIRELLES DE LIMA
Moema
Óleo sobre tela, 129 X 190 cm, 1866
Acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand MASP

Rafael de Sanzio. A Escola de Atenas, 1509-1511.

O PROFESSOR RECOMENDA!

domingo, 11 de março de 2012

Egito Antigo: Documentos

Documento 1
Papiro do escriba Hunefer de cerca de 1370 a.C. Cena do Livro dos Mortos.

Segundo o papiro acima, após a morte, a alma do falecido levava consigo o Livro dos Mortos, pois este provava as qualidades que ele teve em vida.

A sua alma seria então, conduzida por aquele que era o guia da alma no Mundo dos Mortos, no caso, o deus Anúbis até o tribunal de Osíris. Antropomórfico (parte humano e parte animal), como praticamente todas as representações dos Deuses do Egito Antigo, Anúbis possui a cabeça de Chacal. Não custa lembrar que o Chacal, animal da Família dos Canídeos, que habitam regiões desérticas como a egípcia, possuem hábitos noturnos, até porque os dias são de um calor mortificante.

O que é interessante destacar, neste ponto, são os valores culturais dos egípcios e a forma binária como pareciam ver a vida. No caso, o dia e a noite, o Mundo dos Vivos e o Mundo dos Mortos, o baixo nível do Nilo e o período das cheias, a colheita e a destruição das áreas agrícolas, a vida e a morte, em um eterno, ininterrupto ciclo. O Chacal, portanto, animal de hábitos noturnos, com os seus sentidos extremamente desenvolvidos para que consiga ter sucesso em sua caça noturna no deserto, era aquele que transitava na parte que simbolicamente representava, para os egípcios, a Morte.

Bem, retomando a discussão, antes de ser levado por Anúbis à presença de Osíris para ser julgado, o coração da alma do morto seria pesado. Aliás, o coração era o único órgão não retirado do corpo de um cadáver que passaria por um processo de mumificação.

Bom, o coração da alma não seria pesado em uma balança qualquer, pois esta diria se o coração da alma que ali estava, era puro. Para tanto, o coração deveria pesar menos que a pena que era colocada em um dos dois pratos da balança. Ponto interessante para pensarmos sobre os valores morais dos egípcios antigos.

Toth, o deus da Sabedoria e da Justiça, registrava o resultado da pesagem. Este deus também era representado de forma antropomórfica, logo, tinha a cabeça de uma ave chamada Íbis. Para os egípcios da Antiguidade,  a Íbis era a ave que tinha a sabedoria de reconhecer quando estava chegando a época das enchentes. Anúncio importantíssimo, tendo em vista, que estamos falando de um povo que tinha como atividade econômica principal, a atividade agrícola. Logo, para todo povo que pratica a agricultura, criar uma consciência sobre a passagem das estações no tempo anual era indispensável, para que não se perdesse tempo e energia com trabalho desnecessário e de repente se colocasse em risco toda a comunidade, com perdas que pudessem ocasionar fome.

Do mesmo modo, como plantar em época errada do ano poderia significar a morte de todo um povo, ter o coração mais pesado do que a pena, significava ter um coração impuro. As infrações praticadas no Mundo dos Vivos eram, então, penalizadas com a Segunda (e definitiva) Morte, no Mundo dos Mortos. Afinal, uma alma impura era a consequência de um coração impuro, e tê-lo significava ter infringido diversos valores morais aceitos pelos egípcios antigos. Dá para se ter uma idéia destes valores tendo em vista aquilo que a alma que está sendo levada a julgamento diz a Osíris. Em parágrafo a frente a mesma será apresentada. Enfim, se o encerramento do ciclo do Nilo, ou da alternância entre o dia e a noite, tão fundamental para os egípcios antigos, significava a mais completa destruição enquanto povo, uma alma impura jamais retornaria a carne (reencarnaria), pois seria devorada, após o julgamento, pela Deusa Devoradora do Poente ou Ammut (mais uma vez uma alusão à noite).

No entanto, sendo o coração mais leve do que a pena, a alma pura era levado ao conhecimento de Osíris, por seu filho Hórus, juntamente com a alma do morto, para ser julgada. A cabeça de Hórus é a de um Falcão, animal associado ao céu. O olho direito representa o Sol, astro indispensável para a vida em nosso planeta, enquanto o esquerdo, ferido por Seth, a Lua, satélite responsável por muitos fenômenos em nosso planeta. A importância, portanto, de ambos os corpos celestes para este povo antigo é imensa. Por fim, Hórus era considerado o rei do Mundo dos Vivos.

Finalmente na presença de Osíris, a alma que seria julgada, fazia a sua confissão: "Saudações ao grande deus. Eu venho até você e trago a Verdade e a Justiça. Eu não maltratei as pessoas; eu não blasfemei contra os deuses, eu não matei. Eu sou puro! Eu sou puro! Eu sou puro!"

No tribunal, ela seria julgada pelo deus Osíris na presença de 42 deuses (42 eram o número de nomos [cidades-estado] que o faraó governava no Egito Antigo).

Se após o julgamento a alma fosse considerada impura, ela seria comida por uma deusa com cabeça de crocodilo, cujo corpo era uma mistura entre o leão e o hipopótamo, todos animais presentes no Nilo e muito temidos pelo povo. 

Agora se fosse pura a alma, ela seria absolvida e retornaria para encontrar o corpo conservado pela técnica da mumificação.

Para ajudar no retorno da alma considerada pura por Osíris, os sacerdotes egípcios pintavam o interior das pirâmides e escreviam a história do faraó, para que, este na caminhada de encontro ao seu corpo, relembrasse a vida que teve.

Foi deste modo que as narrativas sobre a vida de vários faraós, nobres e funcionários do Estado, acabaram chegando ao tempo presente para ser estudado pelos historiadores.

Texto: Alek Sander de Carvalho.
A reprodução comercial é proibida.
A reprodução não-comercial é permitida desde que citada a fonte.

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Documento 2
Sobre a vida de um camponês no Egito Antigo
"Não te lembras da condição do lavrador, na ocasião em que taxam a colheita? Os vermes-lhe comem metade do grão e o hipopótamo comeu o resto. (...) Chega então o escriba do imposto e taxa a colheita (...) E dizem: - Dá os grãos! [grifo meu: diz o lavrador] Não os há, (...) Então eles batem no lavrador, caído no chão; deitam-no a um fosso de cabeça para baixo"
Fonte: FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos de História. Lisboa: Plátano, 1977. p.43-44.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Aula 2: "Pré-História" (material extra)

Bom, queridos alunos e alunas e demais pessoas interessadas, é como eu sempre digo, principalmente para quem convive comigo: - Só conseguimos contar uma história se há um vestígio que nos possibilite contá-la, afinal, não haveria como se contar uma história sobre as pirâmides do Egito se as mesmas não existissem (ou se não houvesse algum tipo de registro que em alguma época as mesmas existiram).

Em outras palavras, não há história sem vestígios. Chamo de vestígio tudo aquilo que de alguma maneira sobreviveu a passagem do tempo e foi resultado da ação humana, praticada em época qualquer. Estes vestígios podem ser materiais (objetos produzidos pelos seres humanos, livros, quadros de pintura, etc), culturais (gestos, fala, costumes, etc) e biológicos (o rabo que perdemos, o aumento do nosso crânio, a mudança da nossa dentição).

Caminhe comigo e veja como o "vestígio histórico" é importante para os detetives do passado (historiadores, arqueólogos, sociólogos, filósofos, etc):

Se estivermos andando na praia e deixarmos as marcas de nossa caminhada na areia e a mesma resistir as intemperes do clima (vento, chuva, insolação) alguma pessoa lá no futuro, com interesse no passado poderá dizer: - Opa, alguém caminhou nesta praia.

Por sua sua vez, se as ondas apagarem as pegadas que deixamos na areia, o registro das nossas pegadas desaparecerão e o historiador lá do futuro não poderá dizer com segurança que alguém chegou a caminhar na praia.

Deste modo, sem o "vestígio" a história passa a ser um trabalho exclusivo da imaginação, da fantasia.

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Abaixo veremos, então, diversos "vestígios" materiais (concretos: com volume, peso, forma, possíveis de serem tateados e visualizados). Todos eles foram resultados de algum tipo de ação humana sobre alguma "matéria prima" na natureza. E todos estes objetos podem nos dizer muitas coisas, desde que nós sabemos quais as perguntas certas que temos de fazer aos mesmos. Mas antes de os vermos vamos praticar esta coisa gostosa que é: P E N S A R.

Bom, abaixo temos a fotografia de uma árvore, tirada pelo vosso professor, aqui mesmo no Bairro de Jardim Vila Formosa, no segundo semestre de 2008. Como todos vocês sabem a árvore é um organismo vivo que depende de água, luz e sol para poder sobreviver.

Foto: Alek Sander de Carvalho | 2008.

No entanto, os seres humanos das mais variadas épocas utilizam este organismo vivo como matéria prima para produzirem os mais variados instrumentos. Se vocês se lembram bem, eu chamo basicamente de instrumento tudo aquilo que é criado para facilitar o desenvolvimento de uma atividade. Você usa vários destes instrumentos em seu dia a dia, tais como, a cadeira a qual senta, a mesa sobre a qual se alimenta, o lápis que coloca entre os seus dedos. etc.


Fonte: http://static.freepik.com/fotos-gratis/lapis-de-cor-desenho-textura-texturas_3311582.jpg

Enfim, antes que você pergunte o que é que eu estou querendo dizer, já adianto. Em um sítio arqueológico, por exemplo, o arqueólogo (um detetive do passado, tal como, o historiador) irá muitas vezes revolver o solo em busca de vestígios que alguma civilização do passado possa ter deixado.

Neste trabalho intenso de revolver o solo para encontrar vestígios, ele encontrará muitos materiais. Mas não são todos os materiais que lhe interessarão, pois dentre eles haverão aqueles, cuja as formas foram produzidas por diversas situações e condições naturais (tal como a árvore, ou os seus galhos, a forma das rochas, de uma montanha, etc) e outras cuja a forma só foi possível graças a ação humana aplicada em forma de técnica sobre algum elemento natural.

É, por isso, que, por exemplo, para poder diferenciar uma ponta de lança de pedra lascada de uma pedra comum, o arqueólogo tenta resgatar o conhecimento técnico para produzir uma ponta de lança de pedra lascada, pois reproduzindo a técnica ele consegue diferenciar aquilo que foi transformado pela ação humana, daquilo que possui uma forma produzida pelas intemperes da natureza.

Conclusão
Enfim, quando comparamos o lápis com a árvore, notamos claramente que o primeiro foi resultado da ação humana. Ora pois, e isto é tão óbvio quanto como saber que uma árvore não se transforma em lápis sozinha. Mas mais do que a ação humana há a aplicação de uma técnica.

Podemos chamar de técnica, basicamente, a forma como os seres humanos produziam ou produzem os seus objetos. Toda técnica é o resultado do acúmulo de conhecimento que é transmitido culturalmente dos seres humanos mais idosos para os mais jovens. Quando a transmissão cultural se encerra e não passa de geração a geração, perde se o conhecimento técnico para se desenvolver alguma atividade, como, por exemplo, a construção das pirâmides egípcias que intrigam estudiosos até hoje.

O conhecimento técnico permite a cada civilização produzir instrumentos muito peculiares. É por isso que toda pessoa que pretenda investigar o passado remoto deve ter o conhecimento suficiente para saber que aquilo que aos olhos de um leigo se parece com uma pedra, é na verdade um osso, uma ponta de flecha ou um cortador.

Ou melhor em outras palavras, que aquilo encontrado futuramente em um sítio arqueológico não é um fino galho de árvore, mas sim um lápis (embora madeira seja um vestígio raro de se ser encontrado quando a sua datação é muito antiga).

Autoria do texto: Alek Sander de Carvalho
A reprodução para fins comerciais é terminantemente proibida.

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As imagens abaixo foram retiradas dos mais variados sítios. Peço desculpas a todos por ter perdido a fonte das quais as tirei, dado que, perdi recentemente o meu antigo hard disk.

1º imagem: Machados, foices e "mós"; 2º imagem: ferramentas de pedra polida.

1º imagem: cortadores; 2º imagem: pontas de flecha encontradas em Socorro/SP.

1º imagem: pontas de lança de pedra lascada; 2º imagem: Pinturas rupestres Tassili n'Ajjer, Argélia.

Imagens 1 e 2: Pinturas rupestres Tassili n'Ajjer, Argélia.

Imagens 1 e 2: Pinturas rupestres Tassili n'Ajjer, Argélia.

Imagem: representação de agulhas e anzóis feitas de ossos para pesca.

Imagens: Pinturas rupestres Game Pass Shelter, Kwazulu, Natal, África do Sul

Imagem: Pinturas rupestres Goiás. foto de Irmhild Wurst

As 4 imagens acima são do sítio arqueológico do Parque Nacional da Serra da Capivara, no estado do Piauí (Brasil). Fonte: http://www.fumdham.org.br/pinturas_rupestres.html

Pinturas rupestres encontradas na cidade de Piraí do Sul, no estado do Paraná. Fonte: http://www.os-caminhantes.com/

Pintura rupestre em Carrancas (Serra da Mantiqueira), estado de Minas Gerais.