terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Aula 0: O que é isso?

O que é isso?


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"(...) Crianças não nascem más
Crianças não nascem racistas
Crianças não nascem más
Aprendem o que
A gente ensina (... )"

Alexandre Carlo (Natiruts)

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Abaixo outro excerto que permite a mesma reflexão. Paira sobre o caso das irmãs uma dúvida acerca da veracidade dos fatos.

TELLES, A Xavier. Estudos Sociais. São PAulo, Nacional, 1969. Vivendo com lobos (texto adaptado)

Duas meninas, Amala e Kamala, foram descobertas em 1921, numa caverna da Índia, vivendo entre lobos. Essas crianças, que na época tinham quatro e oito anos de idade, foram confiadas a um asilo e passaram a ser observadas por estudiosos. Amala, a mais jovem, não resistiu à nova vida e logo morreu. A outra, porém, viveu cerca de oito anos.

Ambas apresentavam hábitos alimentares bem diferentes dos nossos. Como fazem normalmente os animais, elas cheiravam a comida antes de toca-la, dilaceravam alimentos com os dentes e faziam pouco uso das mãos para beber e comer. Possuíam aguda sensibilidade auditiva e o olfato desenvolvido. Locomoviam-se de forma curvada, com as mãos apoiadas no chão, como o fazem os quadrúpedes. Kamala levou seis anos para andar de forma ereta. Notou-se também que a menina não ficava a vontade na companhia de pessoas, preferindo o convívio com os animais, que não se assustavam com sua presença e pareciam até entendê-la.

Adaptado de: A. Xavier Telles. Estudos Sociais. São Paulo, Nacional, 1969, p.115-116.

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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Horários da Feira Cultural - 2014

Olá queridos alunos e alunas.

Por conta do grande quantidade de alunos e alunas no 8º ano (55 no total) foi necessário dividí-los(as) em 3 turnos. Seguem os mesmos, tal como, a forma como tais turnos ficaram organizados.

1º HORÁRIO (10h00 às 11h40)
Grupo 1: Larissa C. e Beatriz A (8B).
Grupo 2: Marcella Calle e Júlia Leão (8A); Vinícius Datto (8B).
Grupo 3: Bruno Laert, Adilson e Gabriel Miloch (8A); Thiago V. e Rafael (8B).
Grupo 4: Caroline Teruya, Anna Carolina (8A); Gabriel S. e Gabriel C (8B).
Grupo 5: Julia Clemente e Maria Fernanda (8A).
Grupo 6: Guilherme Rossini, Giovanni Dona (8A); Duda e Matheus (8B).

2º HORÁRIO (11h40 às 13h20)
Grupo 1: Daniel (8B).
Grupo 2: Bianca e Lívia (8A); Graziela e Letícia (8B).
Grupo 3: Vinícius Zolezi e Guilherme Assunção (8A); Abdo (8B).
Grupo 4: Valéria (8A); Lucas e Joãos Luís (8B).
Grupo 5: Isabelle e Reinaldo Neto (8A).
Grupo 6: Thiago Padilha e Gabrielle Queiroz (8A); Marco Aurélio e Júlia (8B).

3º HORÁRIO (13h20 às 15h00)
Grupo 1: Anna Carolina e Maria Luiza (8B).
Grupo 2: Maria Regina, Catarina e Mariana (8A); Juliana e Giovanna (8B)
Grupo 3: Gustavo Barbosa e Thiago Oliveira (8A); Guilherme Albuquerque (8B).
Grupo 4: Raquel Reiche e Beatriz Oliveira (8A); Pedro (8B).
Grupo 5: Rodrigo Santos e Vitor Bombonati (8A).
Grupo 6: Maurício (8A); Amanda e Giullia.

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Abaixo seguem as imagens enviadas para os Banners











quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Questionário: 9º Ano / 3º Ano do Ensino Médio.

Questionário - Governo José Sarney (1985 - 1989)
1. Explique qual o significado da palavra inflação.

2. Qual o principal problema sofrido pela economia brasileira pelo governo de José Sarney e base aliada entre os anos de 1985 e 1989?

3. Em relação ao Plano Cruzado explique: a) Qual era o seu principal objetivo?; b) Quais as medidas adotadas?; c) Quais foram os seus resultados?

4. Em relação ao Plano Bresser explique: a) Qual era o seu principal objetivo?; b) Quais as medidas adotadas?; c) Quais foram os seus resultados?

5. Em relação ao Plano Verão explique: a) Qual era o seu principal objetivo?; b) Quais as medidas adotadas?; c) Quais foram os seus resultados?

6. Explique: a) Quais as políticas sociais do governo José Sarney? b) Quais os resultados das mesmas?


Questionário - Governo Fernando Collor de Mello (1990 - 1992)
1. Qual a participação da mídia nos processos eleitorais após a redemocratização política do Brasil?

2. Qual o nível de participação da mídia na eleição do candidato Fernando Collor de Mello no ano de 1989?

3. Em relação ao Plano Collor explique: a) Qual era o seu principal objetivo?; b) Quais as medidas adotadas?; c) Quais foram os seus resultados?

4. Explique o processo de impeachment do presidente Collor, destacando:
a) O que é impeachment?; b) Qual fato detonou este processo?; c) Qual procedimento se adotou e o que foi descoberto com ele?; d) Qual o resultado final do processo?

5. Explique: a) Quais as políticas sociais do governo Collor? b) Quais os resultados das mesmas?


Questionário - Governo Itamar Franco (1992 - 1994)
1. Como Itamar Franco chegou à presidência da República no ano de 1992?

2. Em relação ao Plano Real aponte:
- a) Em qual governo ele foi implantado?;
- b) Qual era o seu principal objetivo?;
- c) O que ocorreu com a moeda brasileira em relação ao dólar?;
- d) Quais as estratégias usadas pelo governo para trazer dólares para a economia brasileira?;
- e) Qual o impacto do plano real no mercado consumidor?;
- f) Qual o impacto do plano Real na cadeia produtiva após estimular a economia?;
- g) Qual o político que mais se beneficiou do plano Real associando a sua imagem ao mesmo?

3. Explique: a) Quais as políticas sociais do governo Itamar Franco? b) Quais os resultados das mesmas?


Questionário - Governo Fernando Henrique Cardoso (1995 - 2001)
1. Explique qual o significado da palavra privatização.

2. Porque no aspecto econômico o governo FHC em conjunto com a sua base aliada, pode ser considerado um governo desnacionalizante?

3. Explique:
- a) Qual agenda neoliberal o governo FHC teve de adotar para continuar mantendo o fluxo de empréstimos em dólares de bancos internacionais para o Brasil?
- b) Como a adoção de tal agenda pelo governo FHC se encontrava com os principais pontos colocados pelo Consenso de Washington?

4. Explique o que significa deixar a economia do país com superávit primário?

5. Como o governo FHC em conjunto com a sua base aliada lidou com os casos de corrupção ocorridos durante a sua presidência?

6. Explique:
- a) Quem é o responsável por nomear o Procurador Geral da República?
- b) Qual o qual a principal ação do procurador geral da República dentro de um governo?
- c) Qual a caracteristica predominante do trabalho do Procurador Geral da República Geraldo Brindeiro no governo FHC?

7. Antecipando o término do primeiro mandato, o governo FHC e a sua base aliada aprovariam uma Emenda Constitucional que introduziu a reeleição para a presidência da República. Explique, então: a) Como tal emenda foi aprovada?; b) Porque este caso pode ser considerado um caso de corrupção similar ao Mensalão que ocorreria décadas depois no governo Lula?; Porque a mídia não polemizou sobre o tema e os envolvidos não sofreram nenhum tipo de sanção?

8. Explique: a) Quais as políticas sociais do governo FHC? b) Quais os resultados das mesmas?

9. Quais setores do Estado foram privatizados pelo governo FHC em conjunto com a base aliada? Quais os avanços ou retrocessos que tais setores sofreram?

10. Explique o episódio conhecido como Privataria Tucana.

11. Nas eleições de 2001 o PSDB não conseguiu reeleger o candidato Alckmin para a presidência. Quais fatores podem ser levantados para a derrota nas urnas?

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES: Somos aquilo que comemos! | Projeto da Feira Cultural do ano de 2014

Banco de Imagens










Frente 1 (A) | Revolução Agrícola: a importância da agricultura na história humana.
Integrantes:
---- 8º B - Larissa, Anna, Maria Luiza, Beatriz, Daniel e Júlia.

Frente 2 (B) | O que são alimentos Geneticamente Modificados? /// Quais as consequências de se consumir alimentos geneticamente modificados? /// Qual a relação entre o uso de pesticidas e o aumento do índice de câncer no Brasil?
Integrantes:
---- 8º B - Giovanna, Grazi, Juliana, Letícia, Vinícius Datto.
---- 8º A - Catarina, Mariana Porto, Maria Regina, Lívia, Júlia Leão, Marcella, Bianca.

Frente 3 (C) | O monopólio das sementes e o controle da produção.
Integrantes:
---- 8º B - Thiago, Guilherme, Abdo e Rafael.
---- 8º A - Bruno Laert, Gustavo, Gabriel Miloch, Adilson, Thiago Lacerda, Vinícius Zolezi

Frente 4 (D) | Monocultura e Latifúndio ao longo da História do Brasil. /// Concentração Fundiária e concentração de renda.
Integrantes:
---- 8º B - Gabriel Chilio, Gabriel Santos, João Paulielo, Pedro Cruz, Lucas Brandão.
---- 8º A - Valéria, Caroline Miwa, Raquel, Anna Carolina, Beatriz.

Frente 5 (E) | O impacto ambiental: o desgaste do solo e a poluição do ar e das águas com agrotóxicos.
Integrantes:
---- 8º A - Julia Clemente, Maria Fernanda, Izabelle, Rodrigo, Vitor, Reinaldo.

Frente 6 (F) | Agricultura Familiar e Agricultura Orgânica: Uma possível saída para produtores e consumidores. /// O método da Agrofloresta para produção agrícola. /// O uso de sementes crioulas como saída ao transgênico. /// O conceito de agroecologia e uma possibilidade de saída.
Integrantes:
---- 8º B - Giullia, Amanda, Maria Eduarda, Matheus e Marco Aurélio.
---- 8º A - Gabriel Gonzalez, Guilherme Rossini, Thiago Padilha, Giovani Dona, Gabrielle, Maurício.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Somos aquilo que comemos! | Projeto da Feira Cultural do ano de 2014

Projeto: A alimentação com transgênicos - Se somos aquilo que comemos, o que somos então?

Descrição
Objetivo:
Fazer com que os alunos e alunas façam uma reflexão sobre a ingestão de alimentos geneticamente modificados e o impacto do consumo dos mesmos na saúde, no meio ambiente e na ocupação do espaço rural.

Por sua vez, é ponto de chegada do trabalho proporcionar outra etapa de reflexão, no caso, sobre uma possível saída aos problemas ocasionados pelos OGM’s reorientando o foco para a cultura de alimentos orgânicos e a agricultura familiar.

Recursos:
Há previamente planejado a construção de Cartazes informativos para o público visitante. No entanto, como orientador dos anseios dos educandos existe a possibilidade, como já foi acenada pelos mesmos, do uso de mídias tecnológicas.

Estratégias:
Aulas expositivas, encaminhamento de Questionários, apresentação de documentários e orientação específica dos grupos.

O cronograma de desenvolvimento do trabalho possui a seguinte estrutura:
- Sondagem sobre as informações que os educandos possuem acerca do tema;
- Encaminhamento de Pesquisa em Revistas, Jornais e Internet;
- Apresentação dos resultados da pesquisa;
- Discussão e Reflexão coletiva sobre o tema;
- Apresentação de seminário;
- Planejamento do Espaço Expositivo;
- Execução e Montagem;
- Desmontagem.

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Grupos e frentes de Pesquisa
Frente 1 (A) | Revolução Agrícola: a importância da agricultura na história humana.
Integrantes:
---- 8º B - Larissa, Anna, Maria Luiza, Beatriz, Daniel e Júlia.

Frente 2 (B) | O que são alimentos Geneticamente Modificados? /// Quais as consequências de se consumir alimentos geneticamente modificados? /// Qual a relação entre o uso de pesticidas e o aumento do índice de câncer no Brasil?
Integrantes:
---- 8º B - Giovanna, Grazi, Juliana, Letícia, Vinícius Datto.
---- 8º A - Catarina, Mariana Porto, Maria Regina, Lívia, Júlia Leão, Marcella, Bianca.

Frente 3 (C) | O monopólio das sementes e o controle da produção.
Integrantes:
---- 8º B - Thiago, Guilherme, Abdo e Rafael.
---- 8º A - Bruno Laert, Gustavo, Gabriel Miloch, Adilson, Thiago Lacerda, Vinícius Zolezi.

Frente 4 (D) | Monocultura e Latifúndio ao longo da História do Brasil. /// Concentração Fundiária e concentração de renda.
Integrantes:
---- 8º B - Gabriel Chilio, Gabriel Santos, João Paulielo, Pedro Cruz, Lucas Brandão.
---- 8º A - Valéria, Caroline Miwa, Raquel, Anna Carolina, Beatriz.

Frente 5 (E) | O impacto ambiental: o desgaste do solo e a poluição do ar e das águas com agrotóxicos.
Integrantes:
---- 8º A - Julia Clemente, Maria Fernanda, Izabelle, Rodrigo, Vitor, Reinaldo.

Frente 6 (F) | Agricultura Familiar e Agricultura Orgânica: Uma possível saída para produtores e consumidores. /// O método da Agrofloresta para produção agrícola. /// O uso de sementes crioulas como saída ao transgênico. /// O conceito de agroecologia e uma possibilidade de saída.
Integrantes:
---- 8º B - Giullia, Amanda, Maria Eduarda, Matheus e Marco Aurélio.
---- 8º A - Gabriel Gonzalez, Guilherme Rossini, Thiago Padilha, Giovani Dona, Gabrielle, Maurício.

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Aprofundamento e Pesquisa
Seguem alguns documentos básicos para aprofundamento dos estudos sobre a alimentação com transgênicos.

Vídeos para instrução.
A) Sobre a técnica da formação do DNA Recombinante.


B) Documentário baseado no livro O Mundo Segundo a Monsanto baseado no livro da jornalista Marie-Monique Robin.



C) Documentário do diretor brasileiro Silvio Tendler O Veneno está na Mesa II
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Textos para instrução
C) Reportagem Sementes do Poder, publicada originalmente na revista Carta Capital em 20 de março de 2008.
Link para acesso: http://reporterbrasil.org.br/2008/03/sementes-do-poder/

D) Variados sobre artigos relativos à OGM's e Transgênicos do site Repórter Brasil.
Link para acesso: http://reporterbrasil.org.br/transgenicos/

E) Abaixo assinado de cientistas contra os Alimentos Transgênicos do site Caros Amigos.
http://www.carosamigos.com.br/index.php/economia-2/4202-cientistas-pedem-fim-dos-transgenicos-em-todo-o-mundo#comment-2826

F) Monopólio das sementes transgênicas por somente 6 grandes corporações.
http://reporterbrasil.org.br/transgenicos/grupo-de-seis-empresas-controla-mercado-global-de-transgenicos/

G) Reportagem Publicada na Revista Carta Capital em maio de 2008.




H) Mapa de Feiras para consumo de alimentos orgânicos.
Link para acesso: http://www.idec.org.br/feirasorganicas

I) Matéria sobre o uso de agrotóxicos e o câncer de mama
Link: http://cancerbioestat.blogspot.com.br/2010/12/cancer-e-os-agrotoxicos.html

terça-feira, 7 de outubro de 2014

LIQUID MEASURE 3

Clique na Imagem para jogar!
Sou fã de toda a série Liquid Measure. Perdi algumas horinhas para resolver todos os problemas propostos pelos mesmos.

Basicamente este é um tipo de quebra cabeça onde você deverá fazer as conexões dos tubos de forma adequada. Após realizar todos os encaixes a água deve fluir sem que vaze por uma conexão mal planejada.

A partir dos 11 anos é possível aplicar o jogo seguramente, embora dependendo do grupo de alunos e alunas seja até possível antecipar a aplicação do mesmo.

Enfim, bom jogo queridos e queridas.

domingo, 14 de setembro de 2014

Documentos para análise: A Ditadura Militar no Brasil - 1964 - "1989"

Um tributo aos homens, mulheres e crianças que em idade diversa foram vítimas de um Estado Autocrático, governado por senhores de farda e coturno em conjunto com outros sujeitos de black-tie e lustrosos sapatos.

Foi um horror os anos que se estenderam entre 1964 e 1989, décadas onde o terror era pratica autorizada pelo Estado, até quando ocorria em localidades distantes do centro, onde os gritos e a humilhação ao outro não podiam ser ouvidas.

Enfim, se se perde a memória do terror não se pode ter aversão pelo mesmo no presente ou no futuro. Do mesmo modo, sem imaginação para sentir na pele a dor do outro abre-se espaço para todo e qualquer tipo de barbárie.

Abaixo seguem alguns relatos de pessoas vitimadas pela ditadura militar ocorrida no Brasil para análise em sala de aula. Todos foram retirados do livro: Brasil Nunca Mais. RJ: Editora Vozes, 1985.

Alek Sander de Carvalho

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http://bnmdigital.mpf.mp.br/#!/

Relato do Capítulo Lesões Físicas
[Relato de Manoel Conceição dos Santos, 35 anos, agricultor, Ceará, auto de interrogatório, 1972]
(...) foi o interrogado tirado do hospital, tendo sido novamente pendurado em uma grade, com os braços para cima, tendo sido lhe arrancada a perna mecânica, colocado um capuz na cabeça, amarrado seu pênis com uma corda, para impedir a urina; (...) Que, ao chegar o interrogado à sala de investigações, foi mandado amarrar seus testículos, tendo sido arrastado pelo meio da sala e pendurado para cima, amarrado pelos testículos; (...)

Relato do Capítulo Mulheres Torturadas
A engenheira Elsa Maria Pereira Lianza, de 25 anos, presa no Rio, narrou em seu depoimento, em 1977:
(...) que a interrogada foi submetida a choques elétricos em v´rios lugares do corpo, inclusive nos braços, nas pernas e na vagina; que o marido da interrogada teve oportunidade de presenciar essas cenas relacionadas com choques elétricos e os torturadores amplificavam os gritos da interrogada para que os mesmos fossem ouvidos pelo seu marido; (...)

Relato do Capítulo Intimidação pela Tortura
A assistente social Ilda Brandle Siegl, de 26 anos, declarou em seu depoimento no Rio, em 1970:
(...) (o) que mais influiu no ânimo da depoente foi o fato de ser mostrado a ela um rapaz, que hoje sabe ser Flávio Melo e que se encontrava arrocheado no braço e com o rosto inchado, e disseram à depoente que, se não concordasse em colaborar, ficaria igual a ele; (...) que disseram a ela que a tortura ali era científica, não deixava marca; que foi espancada e despiram a depoente e provocaram choques elétricos; que, enquanto aplicava choque, o Dr. Mimoso abanava a depoente para que a mesma não desmaiasse; que havia pausa a critério médico; que aplicaram choques nos seios, no umbigo e na parte interna das coxas; que, após, foi jogada numa cadeira, já que não podia ficar de pé; (...)

Relato do Capítulo Intimidação pela Tortura
Descrição semelhante encontra-se no auto de interrogatório e qualificação do engenheiro José Milton Ferreira de Almeida, de 32 anos, ouvido em São Paulo, em 1976:
(...) que, pior do que tudo isso, foi passar dias inteiros, por vários dias, vendo e ouvindo várias pessoas serem torturadas, crucificadas, penduradas nos registros das celas, espancadas nos corredores, gritando numa agonia indescritível; que viu pais e filhos sendo torturados, esposos e esposas serem também torturados e um sendo obrigado a torturar o outro; que viu velhos de quase 70 anos serem praticamente espancados e chegarem ao ponto de debilitamento total; que essas coisas que diz agora são uma síntese do que viveu;

Relato do Capítulo Depoimentos Forjados: confissões falsas
O engenheiro mecânico Ivan Valente, de 31 anos, declarou a Justiça Militar em 1977, no Rio, que as peças processuais apresentadas como seu depoimento na polícia não passavam de um ditado do delegado ao escrivão:
(...) que as declarações prestadas pelo interrogado no DPPS, foram ditadas pelo Delegado ao Escrivão, apesar dos protestos do interrogado, ocasião em que recebia novas ameaças de voltar ao Quartel da Polícia do Exército; que apear da maneira como foram tomadas as declarações, o interrogado assinou o termo respectivo porque dois (motivos) básicos terminaram esse seu gesto: 1) - receio de voltar a ser torturado; 2) - que aquele tipo de prova que havia sido (obtida) pela polícia, não teria valor jurídico nenhum; que apesar de não ser técnico no assunto, o interrogado tinha razão de que as declarações tomadas sob torturas físicas e morais não tem valor na justiça; que, até o 20º dia, após ter sido torturado, o corpo do interrogado denotava sinais de choques elétricos nas mãos, nos pés e nos órgãos genitais (...) que o interrogado assinou o termo de declaração que lhe foi apresentado na DPPS, porque ficou com receio de voltar a ser torturado no Quartel da Polícia do Exército; (...)


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Notícias recentes



domingo, 24 de agosto de 2014

O Entre Guerras (1919-1939) e a Quebra da Bolsa de Nova Iorque (1929)

O Período Entre-Guerras (1919-1939)
O continente europeu saira da Guerra completamente arrasado. Estavam em ruínas toda a infra-estrutura econômica erigida por séculos: a rede de estradas, as ferrovias, os portos, os parques industriais, cidades e vilas. Dentre tudo isto aquilo de maior valor, no caso as vidas extintas e outro sem número de feridos, aleijados e traumatizados.

Tanta destruição tornava impraticável qualquer tentativa de reconstrução que fosse iniciativa dos europeus engolidos pela guerra, pois faltava o necessário para os estados nacionais de sistema econômico capitalista se reerguerem, no caso, capital.

Aquilo que, por sua vez, era escasso na Europa, no pós-Primeira Guerra Mundial, podia ser encontrada em grande oferta nos Estados Unidos. Os país que entrará na Guerra para "correr os últimos 10 metros de 100" e garantir a vitória da Entente e do mesmo modo a quitação da dívida que os mesmos contraíram junto aos bancos estadunidenses, estavam com sua economia pujante, principalmente porque a guerra acontecera no quintal do vizinho e o papel do Estado, das corporações e bancos estadunidenses fora o de patrocinar os seus aliados fornecendo aos mesmos industrializados, armamentos, bens de consumo e, como foi dito acima, capital.

Não de outra forma, a economia estadunidense do período crescera de forma acentuada, pois dentro da guerra foram fornecedores de tudo aquilo que os seus aliados da Entente não estavam produzindo em causa de uma economia voltada para a produção de guerra.

Assim, os Estados Unidos patrocinaram a reconstrução do continente europeu, com os empréstimos cedidos pelos seus bancos, tal como, abarrotaram os mercados europeus com industrializados diversos e outras tantas quinquilharias materiais e culturais, em situação privilegiada, dado que, não havia forma de encontrarem concorrência europeia nos anos imediatamente posteriores à guerra.

A jovem nação encontrava, então, de modo precoce a condição de potência e logo após a Primeira Guerra Mundial, com todas as tradicionais economias industrializadas arruinadas colocava-se o cenário propício para consolidar o seu poder econômico e político, dado que, ainda demoraria quase uma década para as economias europeias consolidarem algum tipo de concorrência aos industrializados estadunidenses.

O findar da década de ouro
Vítimas da enchente de Louisville. Margaret Bourke White, 1937.

A condição privilegiada na qual se encontrava a economia estadunidense não se alongaria para mais de uma década. Afinal, as economias europeias e industrializadas não ficariam latentes por toda a eternidade. Ao contrário, se recuperaram de modo aceitável e pouco perceptível para as grandes corporações estadunidenses.

O resultado foi um crise de superprodução sem precedentes, pois havia uma oferta excessivamente maior do que a demanda europeia pelos industrializados estadunidenses. Mas antes de entender como a quebra de uma economia causa efeitos tão devastadores em outras economias pelo mundo, é preciso fazer algumas considerações prévias.

O que é uma "Bolsa de Valores"?
Uma Bolsa de Valores é algo parecido com um Mercado. Só que diferentemente daquele no qual nós estamos acostumados a fazer as nossas compras, pois nós não encontramos neste tipo de mercado, mercadorias de consumo diverso, como pastas de dentes, barras de chocolates, refrigerantes gaseificados, entre outros.

Logo, se uma Bolsa de Valores é um Mercado distinto, a mercadoria que se vende e se compra no mesmo é também distinta. Portanto, o nome dado a mercadoria que se compra em uma Bolsa de Valores é chamada de AÇÃO. Uma ação, por sua vez, são pequenos pedaços de empresas em formas de papéis.

Mas porque, diabos, as empresas acabam optando por dividir-se em muitos papéis que significam uma pequena fração de representatividade dentro das mesmas?

Bem, a escolha por dividir-se em títulos de ações dá-se como forma de capitalizar uma empresa. Digamos, por exemplo, que eu sou dono de uma rede de lanchonetes e preciso de 10 milhões de reais para expandir os meus negócios pelo Brasil. Para a minha total decepção eu não possuo os 10 milhões necessários.

O que eu poderia então fazer para conseguir o dinheiro que não tenho? Bem, basicamente, são duas as alternativas: 1) pegar um empréstimo junto à Bancos; 2) Capitalizar a empresa dividindo-a em pequenos pedaços, no caso, ações para serem vendidas no único tipo de mercado onde eu posso fazer isto, no caso, a Bolsa.

Só que é aquele negócio, não: Para que hajam pessoas interessadas na mercadoria-ação, um pedaço da minha empresa lanchonete, deve necessariamente ser lucrativa. E porque? Por que basicamente são dois os tipos de compradores de ações que podemos encontrar em uma Bolsa. Um deles é o investidor-especulador (que no caso busca comprar ações com o preço baixo para revendê-las com o preço alto); por sua vez, o outro é o investidor-acionista (este visa acumular um grande número de ações para conseguir representatividade política dentro das empresas das quais estão comprando as ações). Embora possuam nomes distintos, ambos visam basicamente a mesma coisa, no caso, lucrar com a mercadoria-ação que compraram, embora os meios que buscam para isto sejam distintos.

No entanto, só se consegue lucro vendendo uma mercadoria quando há pessoas desejando a mesma. Logo, quanto maior o número de pessoas procurando uma mesma mercadoria, maior o valor da mesma. Por sua vez, quanto menor o número de pessoas procurando uma mesma mercadoria, menor é o valor da mesma. Em outras palavras, o que define o valor de uma mercadoria-ação no Mercado-Bolsa são as leis da oferta e da procura, que decorrem, é claro, da valorização da mercadoria-ação, ou em outras palavras, da possibilidade de lucro futuro que se tem a partir da compra da mesma.

Deste modo, se em um Mercado comum, nós compramos mercadorias para consumí-las, em outro tipo de Mercado como a Bolsa de Valores a mercadorias são compradas já com a perspectiva de que elas serão vendidas por um preço maior do que aquele que se pagou na compra da mesma. Ou ainda, compra-se a mesma buscando acumulá-las para se ter algum controle acionário (poder de decisão) dentro de uma empresa.

Bem, como vimos há pontos em comum e distintos entre um Mercado Comum e um Mercado de Ações. Vamos discutir agora outro ponto importante, no caso, a falência ou a quebra do Mercado. Imagine agora que você possui um Mercado e que após abarrotar as suas prateleiras com produtos, até o final do mês você não conseguiu nenhum comprador. Com certeza se este cenário se repetisse pelos próximos meses você decretaria falência, pois para que continue com o seu negócio você precisa indubitávelmente de COMPRADORES.

A mesma lógica pode ser associada a uma Bolsa de Valores (Mercado de Ações), pois se nela não houver compradores, o resultado será a Quebra. Deste modo fica fácil responder a seguinte questão: Mas porque diabos, então, a Bolsa de Valores de Nova Iorque quebrou em 1929? Simplesmente, porque não havia mais compradores para as ações que eram vendidas naquele Mercado de Ações.

Mas por qual diabo os investidores não queriam mais comprar as ações na Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1929? Responderei com outra pergunta: Se você fosse a um Mercado comprar uma caixa de leite, você a compraria se a mesma tivesse estragada? Obviamente a resposta seria NÃO. Bem, a conclusão que os investidores da Bolsa chegaram foi a mesma conclusão que você chegou, afinal quem compraria ações-podres.

Chamo aqui de ações-podres aquele pedacinho de empresa que foi posta à venda e de modo algum irá gerar lucro futuro para àquele que o comprou, pois a empresa que a colocou a venda, assim o fez mesmo sabendo que a sua empresa não gera o mesmo lucro que de forma fraudulenta divulgou para haver maior interesse pela ação-posta a venda.

Vítima, portanto, de uma espécie de propaganda enganosa o investidor afasta-se do mercado de ações, pois não se sente seguro em comprar ações em um Mercado que não lhe dá segurança sobre a perspectiva de que irá lucrar com a venda de ações no futuro.

Para concluir, quando falamos, então, da crise de 1929 após a quebra da economia estadunidense simbolizada pela Quebra da Bolsa de Nova Iorque, falamos também de uma crise de confiança dos especuladores e investidores da Bolsa de Nova Iorque, porque os mesmos não se sentiam seguros em comprar ações em um Mercado que vendia títulos podres de empresas que divulgavam, de forma fraudulenta dados positivos sobre o lucro que vinham obtendo, quando na verdade o patrimônio das mesmas tinha sido pulverizadas em causa de uma péssima projeção sobre o consumo de bens industriais pelos países Europeus. Com as suas economias relativamente recuperadas na metade da década de 1920, os industrializados estadunidenses abarrotaram os mercados causando uma desvalorização sem precedentes no preço dos mesmos.

Consequências da Crise Econômica Estadunidense
A) Tá bem, a bolsa quebrou, mas quais os efeitos disto na vida da camadas populares dos Estados Unidos?
Sempre interessante e pertinente começar toda e qualquer investigação histórica tomando como ponto de partida uma fonte documental. Vamos a ela, então.

Em 1932, a Câmara dos Deputados do Estados Unidos realizou inúmeras audiências perante um subcomitê com o objetivo de investigar a questão do desemprego no país ocasionado pela grande Depressão. O que se segue abaixo é um registro do depoimento de Oscar Amerinder em uma dessas audiências.



Durante os últimos três meses, eu (Oscar Amerinder, de Oklahoma City) visitei, como já disse, uns vinte Estados deste belo país extraordinariamente rico. Eis algumas das coisas que vi e ouvi. Alguns cidadãos de Montana disseram que havia milhares de alqueires de trigo abandonado nos campos porque seu baixo preço mal dava para cobrir as despesas da colheita.

Em Oregon, vi milhares de alqueires de maçã apodrecendo nos pomares. Somente as maçãs absolutamente perfeitas podiam ser vendidas, por 40 ou 50 centavos a caixa de duzentas maçãs. Ao mesmo tempo, há milhões de crianças que, por causa da pobreza de seus pais, não comerão maçã alguma neste inverno.

Enquanto estava em Oregon, o Portland Oregonian lamentava o fato de milhares de ovelhas serem sacrificadas pelos criadores por não renderem no mercado o suficiente para pagar seu transporte. Enquanto em Oregon os urubus comiam carne de carneiro, vi pessoas procurando restos de carne nas latas de lixo de Nova York e Chicago.

Conversei com um homem num restaurante em Chicago. Ele me falou de sua experiência como criador de carneiros. Disse que no outono tinha sacrificado e atirado ao canyon 3.000 carneiros, porque o transporte de um carneiro custava 1.10 dólar e lucraria menos de 1 dólar por cabeça. Disse que não tinha recursos para alimentar os carneiros e não queria deixá-los morrer à míngua. Por isso, cortava-lhes o pescoço e os atirava no canyon.

As estradas do oeste e do sudoeste pululam de pessoas famintas pedindo carona. As fogueiras dos acampamentos dos desabrigados são visíveis ao longo de todas as estradas de ferro. Vi homens, mulheres e crianças caminhando penosamente pelas estradas. A maioria deles (...) eram proprietários de fazendas que tinham perdido tudo na recente baixa de preço do trigo e do algodão (...).

Os fazendeiros estão sendo pauperizados pela pobreza das populações industriais, e as populações industriais pauperizadas pela pobreza dos fazendeiros. Nenhum deles tem dinheiro para comprar o produto do outro: Consequentemente há excesso de produção e carência de consumo, ao mesmo tempo e no mesmo país”.

Depoimento de Oscar Ameringer. In:ROBERTS, J. M. As ondas de propagação da crise. In: ROBERTS, J. M. História do século XX. São Paulo: Abril, 1974. v. 3. p. 1 349.


O depoimento de Oscar Ameringer é interessantíssimo por não só nos apresentar nas entrelinhas os efeitos da crise econômica nas vidas das camadas populares, como também, nas vidas dos proprietários de terras. Vai além quando afirma que: "Nenhum deles tem dinheiro para comprar o produto do outro".

Com isto, demonstra que não há dinheiro suficiente circulando na economia local estadunidense. Não há dinheiro suficiente por um motivo simples: Se a burguesia industrial estadunidense produziu entusiasticamente sem se dar conta de que os europeus não necessitariam ao final da década de 1920 do mesmo volume de industrializados que consumiram no início do século, ao final da década o cenário será de superprodução. A larga oferta de produtos no mercado local estadunidense é tamanha que os preços ficam abaixo do valor de custo. Chamamos de preço de custo o valor gasto para se produzir alguma coisa, em outras palavras, o dinheiro gasto com mão-de-obra, energia, transporte e impostos.

Para produtores industriais e rurais não conseguir comercializar os seus produtos em situação vantajosa onde haja lucro, significa a falência. Toda empresa falida demite o seu corpo de funcionários. Todo funcionário demitido deixa de receber salário. Sem salário, no sistema capitalista, o desempregado deixa de ser consumidor. Sem consumidores o setor comercial (terceiro setor) encolhe ou desaparece e também demite.

É a esta profunda Crise Econômica que a Quebra da Bolsa de Nova Iorque ilustra. Na verdade a Quebra da Bolsa é apenas a ponta do iceberg. Afinal, para que os investidores do Mercado de Ações de Nova Iorque se dessem conta de que o valor das Ações eram menores do que o valor real das empresas, as próprias empresas foram ao longo da segunda metade da década de 1920 apresentando os sinais de crise, imperceptíveis para investidores tão entusiasmados com o lucro rápido.

Falamos, portanto, de uma crise profunda e que não atinge somente o setor financeiro (Bolsa de Valores, Bancos), mas, sobretudo o setor produtivo e todos aqueles relacionados a ele. Assim, a burguesia industrial e os proprietários de terras sentiram os vossos efeitos. Muitos foram a bancarrota. O que jamais podemos esquecer, neste interím, é que não existe economia sem pessoas. Logo, toda crise econômica, aponta necessariamente para uma crise social. Em outras palavras, dentro do sistema econômico capitalista não havendo a possibilidade de se vender o seu tempo, o seu conhecimento e a sua força, torna-se impossível adquirir o valor necessário para trocar por mercadorias indispensáveis à sobrevivência humana. O número de indigentes, de marginalizados, portanto, nos Estados Unidos é imenso e o depoimento de Oscar Ameringer também é ilustrativo neste aspecto.


O texto acima é de autoria de Alek Sander de Carvalho e a reprodução do mesmo só é permitida SE: 1) NÃO FOR FEITA USO COMERCIAL DA MESMA; 2) FOR CITADA A FONTE.

Em Breve mais dois capítulos desta história!
B) A CONSEQUÊNCIA DA CRISE ECONÔMICA NA EUROPA: Ausência de capital estadunidense para que fosse dada continuidade a recuperação econômica dos europeus.

C) O REFLEXO NO BRASIL: A elite agrária cafeeira do Brasil quebra. A desarticulação da aliança política entre mineiros e paulistas e a "Revolução de 1930".