quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Documentos: Julian Assange sobre o cenário político do Brasil


Certa vez li, em um belo texto proporcionado pelo mestre de Teoria da História Elias Thomé Saliba. Não me lembro o nome do autor e texto, mas me comprometo a revolvê-los do arquivo para prestar-lhes tal serviço de informação.

Inesquecível foi a metáfora proporcionada pelo texto, viva em minha consciência até os dias atuais. Ali, de forma destacada vislumbrei que a Verdade, até então entendida por mim da mesma forma como a apregoada por Nietzche, como aquela que jamais é absoluta, sofreria grande transformação. 

Questionava o autor sobre a possibilidade de se ver a Verdade de uma xícara em sua inteireza, ao passo, que já na linha seguinte concluía a impossibilidade humana de acessar tal Verdade biologicamente, afinal não é possível ver a xícara em sua organização atômica, por exemplo.

Ou seja, a Verdade ao olho humano nada mais é do que um diagnóstico produzido sobre aquilo que de mais aparente enxergamos. E não custa lembrar que não vemos com os olhos, mas sim com o cérebro, aquele que também é responsável por armazenar as nossas crenças.


Após a fascinante descoberta fiquei remoendo e cheguei a uma conclusão a este respeito. Embora nossos olhos, governados pela nossa crença, não nos permita acessar por inteiro a Verdade, isto não significa que ela deixe de existir. Nestes termos, a Verdade, em seu sentido amplo, não depende do humano, porque somos falíveis, logo incapazes por natureza de interpretar de forma precisa o objeto de análise. O que produzimos em causa da nossa incapacidade é, portanto, ilusão. 

A Verdade é a utopia do filósofo. Afinal, como sujeito engajado na superação daquilo que de nefasto existe no mundo, sabe bem que não se muda estruturalmente um estado de coisas praticando alguma ação motivada por ilusões. A ilusão serve bem ao discurso de poder, que é enganador, pois é a partir dele que se constroem crenças, logo um jeito particular de se olhar, interpretar e agir no mundo em benefício dos interesses e da aceitação de uma oligarquia política e econômica.

A Verdade jamais será lida em uma página de jornal. Jamais será vista em um canal de televisão. Isto dá-se por um motivo simples. A mídia contemporânea é a reedição atualizada do mito da Caverna de Platão. Ou seja, cada indivíduo no seu cubículo tomando como Verdade as ilusões que a mídia lhe projeta.

Julian Assange, uma das lideranças de grande destaque do Wikileaks, sítio de internet engajado na divulgação de documentos sigilosos produzidos e guardados feito tesouro pelos governos, possibilitou há muitas pessoas acessar uma dimensão da vida global até então inviável para a sociedade. Afinal, a história política que nos atinge é do gênero da farsa.

A verdade sobre os atos daqueles que estão engajados diretamente com a manutenção do status quo transita por uma dimensão distanciada do contato visual e da apreciação diagnóstica feita a partir das crenças do indivíduo espectador. Logo, através destes produtores culturais, só vemos e diagnosticamos, Ilusão. Alguma Verdade Histórica que possa ser encontrada, para o efeito da análise reveladora do filósofo-historiador, não está no palco, mas sim nos bastidores, atrás das cortinas. Daí a importância do Wikileaks.

Autoria: Alek Sander de Carvalho - Graduado e Licenciado em História pela FFLCH/USP



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