domingo, 1 de fevereiro de 2015

Documentos para Análise: Discursos Imperialistas no Século XIX/XX

Abaixo segue uma pequena relação de discursos imperialistas produzidos no século XIX e XX.

Embora de natureza distinta e buscando atingir fins também distintos todas desembocam em um mesmo ponto. Demonstram, assim, não só forte marca cultural do período como também o grau de disseminação da mesma.

Sendo mais preciso, as grandes transformações ocorridas no século XIX na: 1) consolidação do regime de organização da mão de obra no interior das indústrias; 2) na descoberta de novas fontes de energia e materiais; 3) no desenvolvimento de novas máquinas e tecnologias; causariam um impacto gigantesco nos níveis de produção.

Eram necessários novos mercados consumidores e esta frente foi aberta com o uso da violência militar de Estados controlados por grandes corporações burguesas. Como as Forças Militares são uma instituição do Estado e aquilo que a sustenta são os impostos dos cidadãos e cidadãs, quais dentre os(as) contribuintes pagaria de bom grado se soubesse que os mesmos estavam sendo usados para escravizar crianças, jovens e adultos independentemente do gênero? Noutro aspecto como continuariam sendo eleitas as mesmas forças políticas dentro do Estado Burguês, onde aqueles que governam são eleitos pelo voto?

Heis, então, que a mídia encontra um lugar privilegiado no discurso imperialista, cumprindo, por fim, o papel de justificar a injustificável violência de um Estado contra outras nações espalhadas pelo continente africano, asiático, oceania e americano.

Dizendo de outra forma, é como eu brinco com os meus alunos e alunas. Se narro um ato de violência praticado por mim todos os ouvintes me perguntarão: - Porque você fez isto? Não dando uma justificativa certamente serei condenado pelo ato, mas dependendo da explicação a violência encontra a possibilidade de ser autorizada.

Autoria: Alek Sander de Carvalho
Reprodução autorizada desde que citada a fonte e que não seja para fins comerciais.

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Judge Magazine e Puck Magazine eram semanários publicadas nos Estados Unidos entre os séculos XIX e XX. A primeira, no caso, a Judge entre 1881 e 1947 e a segunda, a Puck entre os anos de 1871 e 1918.

Publicada na revista Judge em 1899.

Publicada na revista Judge em 06/10/1899. A figura retratada na capa é o presidente estadunidense William Mckinley.

Publicada na revista Judge em 02/06/1897.

Publicada na revista Judge em 04/05/1907.

Charge publicada na Revista Puck.



Publicada na Revista Judge em 25/01/1908.

Publicada na Revista Judge.

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A marca de sabonete Pears foi produzida pela primeira vez em 1807 na Inglaterra.



Publicado no gráfico para o natal de 1884 .

Propaganda do ano de 1899. Tradução: Os primeiros passos diante da luz. O fardo do homem branco ao ensinar as virtudes da limpeza. O sabonete PEAR é um potente fator de embranquecimento dos cantos escuros da civilização avançada, dentre todas as nações se mantém no mais alto posto do banheiro ideal.

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Documentos escritos.
Em meados de 1730, o naturalista sueco Carl Von Linné (1707-1778) resolveu classificar toda a criação divina, logo também os seres humanos. No entanto, ao fazer tal classificação o naturalista inventou sub-raças para diferenciar os seres humanos. Criou, então, variedades para o gênero Homo Sapiens, subdividindo-a em: Homo europaeus, Homo asiaticus, Homo afer e Homo americanus. Linné classificaria as civilizações africanas como integrantes do subgênero Homo afer. Sobre estes disse que eram como “astutos”, “preguiçosos” e “libidinosos”.

DISCURSO DO NATURALISTA BRITÂNICO ALFRED WALLACE EM 1864.
"As qualidades morais e físicas dos europeus são superiores; a mesma força e as mesmas capacidades que o levaram a sair, há alguns séculos, da condição de selvagem nômade (...) para o seu atual estado de cultura e progresso (...) concederam-lhe o direito, quando em contato com o selvagem, de ser o vitorioso na luta pela existência e de crescer às custas do seu sacrifício."

CHAMBERLAIN, POLÍTICO INGLÊS, EM DISCURSO PROFERIDO NO DIA 11 DE NOVEMBRO DE 1895.
"Sim, eu creio nesta raça, a maior das raças governantes que o mundo jamais conheceu, orgulhosa, tenaz, confiante em si, resoluta, que nenhum clima, nenhuma mudança pode degenerar e que, infalivelmente será a força predominante na história futura da civilização."
"Sim, eu creio nesta raça, a maior das raças governantes que o mundo jamais conheceu, orgulhosa, tenaz, confiante em si, resoluta, que nenhum clima, nenhuma mudança pode degenerar e que, infalivelmente será a força predominante na história futura da civilização."
In: MESGRAVIS, Laima. A Colonização da África e da Ásia: a expansão do imperialismo europeu no século XIX. São Paulo: Atual, 1994. p. 14.

ALBERT SARRAUT, POLÍTICO FRANCÊS ENTRE O XIX E O XX.
"A natureza distribuiu desigualmente no planeta os depósitos e a abundância de suas matérias-primas; enquanto localizou o gênio inventivo das raças brancas e a ciência da utilização das riquezas naturais nesta extremidade continental que é a Europa, concentrou os mais vastos depósitos de matérias-primas nas Áfricas, Ásias tropicais, Oceanias equatoriais, para onde as necessidades de viver e de criar lançariam o elã dos países civilizados. Estas imensas extensões incultas, de onde poderiam ser tiradas tantas riquezas, deveriam ser deixadas virgens, abandonadas à ignorância ou à incapacidade? (...) A humanidade total deve poder usufruir da riqueza total espalhada pelo planeta. Esta riqueza é o tesouro comum da Humanidade."
SARRAUT, Albert. Grandeur et Servitude Coloniales. Paris: Nathan, 1931. p. 18-19.

DISCURSO PROFERIDO PELO PRIMEIRO MINISTRO FRÂNCES JULES FERRY AO PARLAMENTO NO DIA 28 DE JULHO DE 1885.
"As raças superiores têm um direito perante as raças inferiores. Há para elas um direito porque há um dever para elas. As raças superiores têm o dever de civilizar as inferiores (...)  Vós podeis negar; qualquer um pode negar que há mais justiça, mais ordem material e moral, mais equidade, mais virtudes sociais na África do Norte desde que a França a conquistou?"
In: MESGRAVIS, Laima. A Colonização da África e da Ásia: a expansão do imperialismo europeu no século XIX. São Paulo: Atual, 1994. p. 14.


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QUANDO O DISCURSO NÃO DIALOGA COM A REALIDADE

ÍNDIA
As Fotos abrangem o período de 1876-1879 que evidência as consequências da "missão tão civilizadora" que empreenderam na Índia e vitimou cerca de 60 milhões. Algumas estimativas apontam para o número de 5 milhões de mortos que não tinham absolutamente nada com o que se alimentar.

Publicada no Illustrated London News (20 October 1877)




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CONGO SOB INVASÃO E DOMÍNIO BELGA
  Fotografia de 1904.


Fotografia de 1904.

Foto de 1905.

 Caça predatória e o estopim para o início da extinção de inúmeras espécies de animais.


Fotografia de Alice Seeley Harris do "Congo" invadido pelos Belgas.

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PANFLETO ESCRITO POR UM NATIVO DA INDOCHINA
"Aos vossos olhos, somos selvagens, animais obscuros incapazes de distinguir entre o Bem e o Mal. Não somente vos recusais a tratar-nos em pé de igualdade, como temeis até nossa aproximação como se fôssemos objetos de asco."
TRINH, Fan Isu. In: PANIKKAR, K. M. A dominação ocidental na Ásia. Rio de Janeiro: Saga, 1965. p. 231.

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Documentos Contemporâneos

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CASO TRAYVON MARTIN
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/07/1310976-zimmerman-inocentado-da-morte-de-trayvon-martin-provoca-indignacao-nos-eua.shtml
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CASO TROY DAVIS
http://www.pstu.org.br/node/16830
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RACISMO EM PARTIDA DE VÔLEI NO BRASIL
http://esporte.uol.com.br/volei/ultimas-noticias/2015/01/28/capita-da-selecao-de-volei-e-vitima-de-insultos-racistas-na-superliga.htm
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CASO AMARILDO
http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2013/10/policial-teria-dito-para-amarildo-e-boi-acabou-voce-perdeu.html
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ARTIGO: A VIOLÊNCIA NO BRASIL TEM COR
https://anistia.org.br/tragedia-de-ferguson-e-rotina-brasil/