domingo, 3 de novembro de 2013

Portulanos

Introdução
O processo de centralização do poder político, ou melhor, o poder de governar a vida de outras pessoas concentrado nas mãos de somente uma, aconteceu de maneira precoce naquele que fora inicialmente um Condado e depois transformou se em um país. Falo, evidentemente, de Portugal. Monarquia Nacional que no século XIV, mais especificamente em 1383, reconsolidara a sua independência frente à Castela, uma novidade política que será adotada por outros países europeus para depois se tentar realizar um específico modelo econômico. Qual novidade política foi está? Certamente, o surgimento do absolutismo, mas com um detalhe particular. No caso, a aliança entre o Estado, representado pelo próprio rei, e o setor mercantil português, com capital necessário para conjuntamente com o Estado abrir uma frente militar contra povos d'outros continentes com o fim de explorá-los economicamente.

Tal projeto de "achamento", declaração de posse, exercício da dominação d'outros povos para exploração comercial em condições vantajosas para os lusos, não seria possível sem que se fizesse o uso de tecnologias indispensáveis para a "aventura marítima".

Instrumentos indispensáveis para localização no Espaço (Séculos XIV, XV e XVI)

Portulanos 

Fundamentais para o planejamento das rotas marítimas, os portulanos eram indispensáveis objetos dentro de qualquer embarcação. Todos oferecem uma descrição espantosa e com um nível de detalhamento das costas litorâneas que é supreendente, para um período de tempo onde não haviam satélites. Os cartógrafos do período eram, portanto, exímios observadores, grandes matemáticos e conhecedores de astronomia, qualidades essas que proporciona-nos, observadores do hoje, uma verdadeira admiração pelo trabalho feito.

Enfim, trabalhar com portulanos em sala de aula é uma oportunidade para nós historiadores dialogarmos com as áreas de matemática, geografia e física. Afinal, nada em um portulano é gratuito. As rosas dos ventos, tal como, as linhas que surgem das mesmas e atravessam todos os mapas são recurso vital para um navegante que realiza rotas de longa ou curta distância e precisa traçar destinos, achar ângulos (com instrumentos adequados), desviar-se de recifes, rochas e ilhas, para chegar onde se objetiva.

Nota, se nos mesmos também os divesos paralelos verticais e horizontais, ou usando o vocabulário dos(as) geófragos(as), as linhas imaginárias que cortam o planeta Terra longitudinalmente (e definem a longitude) e aquelas que cortam latitudinalmente (e definem a longitude).

Para um leigo estas linhas não possuem função alguma. Mas, o mesmo já não pensava um capitão de caravelas de séculos longíquos. Localizar-se no espaço, evitando tragédias como naufrágios, encalhes ou ficar a deriva, era uma questão de sobrevivência. Com uma simples brincadeira, com os alunos e alunas em sala de aula, propondo "batalha naval" como jogo já basta para dar a(s/os) mesma(s/os), de forma divertida, a importância de tais linhas para a localização no espaço.

Naquilo que diz respeito aos conhecimentos matemáticos podem ser explorados os cálculos condizentes aos ângulos. É possível trabalhar tanto geometria plana, como, sobretudo, a geometria esférica. Geometria esférica? E porque trabalhar as mesma? Por um motivo simples, se se traça um triângulo em uma esfera têm-se 230º, ao invés dos 180º que possuem os ângulos internos de um triângulo feito sobre uma superfície plano. Se, por sua vez, os ângulos em uma embarcação eram sempre calculados tendo como ponto de partida uma linha imaginária e a determinação do ângulo para o qual se deve orientar, era imprescindível corrigir o mesmo, visto que, determinar mal a angulação de orientação para uma caravela, pode significar errar grosseiramente o ponto de destino e em muitos casos isto representava a própria morte.

Por fim, discorrer sobre a tensão superficial da água, os efeitos da pressão atmosférica, da gravidade e o efeito desta em uma embargação, a força gerada pelo vento por área de vela, Isaac Newton, e Balistica (que inclusive pode ser objeto de discussão também em matemática) são excelentes pontos de contato com a Física.

Abaixo, seguem, portanto, algumas representações rústicas sobre o mundo na visão dos europeus, tal como, as formas mais elaboradas destas representações, no caso, os portulanos.

Autoria do texto: Alek Sander de Carvalho.
É expressamente proibida toda e qualquer publicação deste texto para a obtenção de fins lucrativos.
Em caso de citação só é exigida a citação do autor e do blog.

Portulano de Angelino Dulcert (1339)

Atlas Catalão (1375)

Andrea Bianco.

Andrea Bianco (1436)

Pedro Reinel (1504).

Diogo Homem (1563)

 Lázaro Luis (1563)

Lázaro Luis (1563). Portulano interessantíssimo este e muito em conta do olhar direcionado inevitavelmente para o centro e que provavelmente demarcarva aquilo que os navegantes chamavam de "volta do mar" ou "volta do mar longo".


Sebastião Lopes (1565)

Bartolomeu Velho (1568)


Perdi a fonte. Quando achá-la, publico.

Fernão Vaz Dourado (1570).
Fonte: http://purl.pt/369/1/ficha-obra-vazdourado.html

Fernão Vaz Dourado (1571).
 Fonte: http://purl.pt/369/1/ficha-obra-vazdourado.html

Fernão Vaz Dourado (1575)

Links para pesquisa:
Biblioteca Nacional: http://purl.pt/369/1/index.html
Instituto Camões: http://cvc.instituto-camoes.pt/navegaport/index1.html
Navegação Marítima sem GPS: http://www.youtube.com/watch?v=bSPfeOEZLOI

Nenhum comentário: