domingo, 28 de abril de 2013

Documento: MARX e ENGELS: Trecho do Manifesto Comunista

 
Friedrich Engels. s/ data.

Karl Marx. s/ data.

MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. O Manifesto Comunista.
Em 1848, foi publicado O Manifesto Comunista. Trata-se de um trabalho escrito por Marx a partir de um esboço que lhe foi apresentado por Engels. Este insistia em dizer que Marx era o principal autor do Manifesto, sendo ele um colaborador de menor importância. O trabalho foi elaborado a pedido do “Comitê Centra” da Liga Comunista, fundada em 1847, em Londres. A Liga procurava reunir alguns grupos revolucionários, então no exílio, que, apesar da repressão da época, entendiam ser seu dever organizar o movimento social dos trabalhadores dando a este um caráter revolucionário.

É importante salientar que as instruções do Comitê Central ao então jovem Marx (28 anos) foram feitas em 26 de janeiro, estabelecendo como prazo máximo para a conclusão do trabalho o dia 1º de fevereiro. O Manifesto representou um verdadeiro “programa” de ação dos comunistas, defendendo a ação radical dos trabalhadores e a derrubada pela força da ordem social vigente.

Enquanto você lê o texto, procure refletir sobre as seguintes questões:
1. Quais são os pontos básicos do Manifesto Comunista?

2. Quais os argumentos utilizados por Marx e Engels para justificar a afirmativa de que “a história de toda sociedade existente até hoje tem sido a história da luta de classes”?

3. Qual a importância histórica da última frase do Manifesto?

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A história de toda sociedade existente até hoje tem sido a história das lutas de classes.

Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, o opressor e o oprimido permaneceram em constante oposição um ao outro, levada a efeito numa guerra ininterrupta, ora disfarçada, ora aberta, que terminou, cada vez, ou pela reconstituição revolucionária de toda a sociedade ou pela destruição das classes em conflito.

Desde épocas mais remotas da história, encontramos, em praticamente toda parte, uma complexa divisão da sociedade em classes diferentes, uma gradação múltipla das condições sociais. Na Roma Antiga, temos os patrícios, os guerreiros, os plebeus, os escravos; Na Idade Média, os senhores, os vassalos, os mestres, os companheiros, os aprendizes, os servos; e, em quase todas as classes, outras camadas subordinadas.

A sociedade moderna burguesa, surgida das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classes. Apenas estabeleceu novas classes, novas condições de opressão, novas formas de luta em lugar das velhas.

No entanto, a nossa época, a época da burguesia, possui uma característica: simplificou os antagonismos de classes. A sociedade global divide-se cada vz mais em dois campos hostis, em duas grandes classes que se defrontam – a burguesia e o proletariado. (...)

Na mesma proporção em que a burguesia, ou seja, o capital, se desenvolve, desenvolve-se também o proletariado, a classe dos trabalhadores modernos, que só podem viver se encontrarem trabalho, e só encontram trabalho na medida em que este aumenta o capital. Esses trabalhadores que são obrigados a vender-se diariamente, são uma mercadoria, são um artigo de comércio, sujeitos, portanto, às vicissitudes da concorrência, às flutuações do mercado. (...)

Qual a posição dos comunistas em relação aos proletários em geral?

Os comunistas não formam um partido à parte, oposto aos outros partidos operários. Não tem interesses diferentes daqueles do proletariado em geral. Não formulam quaisquer princípios particulares a fim de modelar o movimento proletário.
O fim imediato dos comunistas é o mesmo que o de todos os outros partidos proletários: constituição dos proletários em classe, derrubada da supremacia burguesa.


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