quarta-feira, 27 de novembro de 2013

História do Brasil no século XIX - Segundo Reinado: Documentos

Reunião de documentos para trabalho em sala de aula.


Fotografias tiradas por Christiano Junior.

Escrava da Nação Africana Crioulo , ca. 1865.

Escrava da Nação Africana Mina , ca. 1865.

Escravo da Nação Africana Angola , ca. 1865.

Escravo da Nação Africana Cabinda , ca. 1865.

Escravo da Nação Africana Moçambique , ca. 1865.

Escravo da Nação Africana Olunan , ca. 1865.

Nações africanas segundo Debret.

Angelo Agostini (1843-1910)
 Entrada Triumphal dos Voluntários da Pátria.
12 de junho de 1866.
Publicada na Revista Vida Fluminense.

Angelo Agostini (1843-1910)
Revista Illustrada, 1885.

Angelo Agostini (1843-1910)
Revista Illustrada, 1885.
Biblioteca Mario de Andrade SP


ABOLICIONISTAS
Luís Gama
 
André Rebouças

Joaquim Nabuco


 José do Patrocínio
 

A DIFÍCIL TAREFA DE SE CONSTRUIR UMA IDENTIDADE NACIONAL
Vitor Meirelles


Rodolpho Amôedo


Almeida Júnior (1850-1899)
Caipira Picando Fumo (estudo) , 1893
óleo sobre tela, c.i.d.
70 x 50 cm
Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo


Modesto Brocos y Gomes


Candido Portinari (1903-1962)
Mestiço , 1934
óleo sobre tela, c.i.e.
81 x 65,5 cm
Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo


domingo, 3 de novembro de 2013

Portulanos

Introdução
O processo de centralização do poder político, ou melhor, o poder de governar a vida de outras pessoas concentrado nas mãos de somente uma, aconteceu de maneira precoce naquele que fora inicialmente um Condado e depois transformou se em um país. Falo, evidentemente, de Portugal. Monarquia Nacional que no século XIV, mais especificamente em 1383, reconsolidara a sua independência frente à Castela, uma novidade política que será adotada por outros países europeus para depois se tentar realizar um específico modelo econômico. Qual novidade política foi está? Certamente, o surgimento do absolutismo, mas com um detalhe particular. No caso, a aliança entre o Estado, representado pelo próprio rei, e o setor mercantil português, com capital necessário para conjuntamente com o Estado abrir uma frente militar contra povos d'outros continentes com o fim de explorá-los economicamente.

Tal projeto de "achamento", declaração de posse, exercício da dominação d'outros povos para exploração comercial em condições vantajosas para os lusos, não seria possível sem que se fizesse o uso de tecnologias indispensáveis para a "aventura marítima".

Instrumentos indispensáveis para localização no Espaço (Séculos XIV, XV e XVI)

Portulanos 

Fundamentais para o planejamento das rotas marítimas, os portulanos eram indispensáveis objetos dentro de qualquer embarcação. Todos oferecem uma descrição espantosa e com um nível de detalhamento das costas litorâneas que é supreendente, para um período de tempo onde não haviam satélites. Os cartógrafos do período eram, portanto, exímios observadores, grandes matemáticos e conhecedores de astronomia, qualidades essas que proporciona-nos, observadores do hoje, uma verdadeira admiração pelo trabalho feito.

Enfim, trabalhar com portulanos em sala de aula é uma oportunidade para nós historiadores dialogarmos com as áreas de matemática, geografia e física. Afinal, nada em um portulano é gratuito. As rosas dos ventos, tal como, as linhas que surgem das mesmas e atravessam todos os mapas são recurso vital para um navegante que realiza rotas de longa ou curta distância e precisa traçar destinos, achar ângulos (com instrumentos adequados), desviar-se de recifes, rochas e ilhas, para chegar onde se objetiva.

Nota, se nos mesmos também os divesos paralelos verticais e horizontais, ou usando o vocabulário dos(as) geófragos(as), as linhas imaginárias que cortam o planeta Terra longitudinalmente (e definem a longitude) e aquelas que cortam latitudinalmente (e definem a longitude).

Para um leigo estas linhas não possuem função alguma. Mas, o mesmo já não pensava um capitão de caravelas de séculos longíquos. Localizar-se no espaço, evitando tragédias como naufrágios, encalhes ou ficar a deriva, era uma questão de sobrevivência. Com uma simples brincadeira, com os alunos e alunas em sala de aula, propondo "batalha naval" como jogo já basta para dar a(s/os) mesma(s/os), de forma divertida, a importância de tais linhas para a localização no espaço.

Naquilo que diz respeito aos conhecimentos matemáticos podem ser explorados os cálculos condizentes aos ângulos. É possível trabalhar tanto geometria plana, como, sobretudo, a geometria esférica. Geometria esférica? E porque trabalhar as mesma? Por um motivo simples, se se traça um triângulo em uma esfera têm-se 230º, ao invés dos 180º que possuem os ângulos internos de um triângulo feito sobre uma superfície plano. Se, por sua vez, os ângulos em uma embarcação eram sempre calculados tendo como ponto de partida uma linha imaginária e a determinação do ângulo para o qual se deve orientar, era imprescindível corrigir o mesmo, visto que, determinar mal a angulação de orientação para uma caravela, pode significar errar grosseiramente o ponto de destino e em muitos casos isto representava a própria morte.

Por fim, discorrer sobre a tensão superficial da água, os efeitos da pressão atmosférica, da gravidade e o efeito desta em uma embargação, a força gerada pelo vento por área de vela, Isaac Newton, e Balistica (que inclusive pode ser objeto de discussão também em matemática) são excelentes pontos de contato com a Física.

Abaixo, seguem, portanto, algumas representações rústicas sobre o mundo na visão dos europeus, tal como, as formas mais elaboradas destas representações, no caso, os portulanos.

Autoria do texto: Alek Sander de Carvalho.
É expressamente proibida toda e qualquer publicação deste texto para a obtenção de fins lucrativos.
Em caso de citação só é exigida a citação do autor e do blog.

Portulano de Angelino Dulcert (1339)

Atlas Catalão (1375)

Andrea Bianco.

Andrea Bianco (1436)

Pedro Reinel (1504).

Diogo Homem (1563)

 Lázaro Luis (1563)

Lázaro Luis (1563). Portulano interessantíssimo este e muito em conta do olhar direcionado inevitavelmente para o centro e que provavelmente demarcarva aquilo que os navegantes chamavam de "volta do mar" ou "volta do mar longo".


Sebastião Lopes (1565)

Bartolomeu Velho (1568)


Perdi a fonte. Quando achá-la, publico.

Fernão Vaz Dourado (1570).
Fonte: http://purl.pt/369/1/ficha-obra-vazdourado.html

Fernão Vaz Dourado (1571).
 Fonte: http://purl.pt/369/1/ficha-obra-vazdourado.html

Fernão Vaz Dourado (1575)

Links para pesquisa:
Biblioteca Nacional: http://purl.pt/369/1/index.html
Instituto Camões: http://cvc.instituto-camoes.pt/navegaport/index1.html
Navegação Marítima sem GPS: http://www.youtube.com/watch?v=bSPfeOEZLOI

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Tempos Modernos, 1936

Tempos Modernos, 1936


Elenco
Charlie Chaplin .... Proletário; Paulette Goddard .... Gamine / Ellen Peterson; Henry Bergman .... proprietário do motel; Chester Conklin .... mecânico; Stanley J. Sandford (conhecido como Tiny Sandford) .... Big Bill; Hank Mann.... mendigo; Stanley Blystone .... pai de Gamine; Al Ernest Garcia .... presidente da Electro Steel Corp. (creditado com Allan Garcia); Julia Wolder .... irmã da garota orfã; Richard Alexander .... Companheiro de Cela; Cecil Reynolds .... Pastor; Mira McKinney .... Esposa do Pastor; Murdock MacQuarrie .... J. Widdecombe; Edward LeSaint .... Diretor Couler; Fred Malatesta .... Garçom; Wilfred Lucas .... Diretor Júnior







terça-feira, 17 de setembro de 2013

Projeto: Raízes da Violência


Projeto: Raízes da Violência.

Público Alvo
Ensino Médio.

Objetivo
Fazer uma reflexão sobre as raízes da violência cotidiana fugindo de explicações superficiais que em nada contribuem para um entendimento profundo do tema.

Etapas
1) Apresentação de reportagem exibida no telejornal Fantástico com o nome de HOMICÍDIOS OCULTOS.
- Objetivo: Apresentar aos alunos e alunas a maneira como os dados de violência são divulgados pelos órgãos oficiais de governo. A reportagem trata a subestimação dos índices de violência do país como erro de comunição. Vale descaracterizar a versão trabalhada pela imprensa e considerar o episódio como um fato intencional e não acidental, dado que, as questões condizentes à segurança pública ocupam lugar privilegiado e representam estatisticamente a preocupação mais predominante dentre brasileiros e brasileiras. Não, por acaso, nenhum governo assume que o seu governo trata a questão da segurança de forma superficial e desinteressada, ao contrário buscam demonstrar na dimensão do discurso, da publicidade e da fraude estatística que são eficientes em tal quesito para cumprir o circuito eleitoral que pretendem repetir indefinidamente através dos muitos mandatos que conquistam através do voto.

2) Podemos dizer que a origem da violência reside no fato de uma pessoa nascer má?
Objetivo: Questionar a origem da maldade humana e se se trata de a mesma ser inerente a natureza ou uma construção cultural que permeia as consciências organizando-a. Os textos de Hobbes e Rosseau enriquecem a discussão.

3) HQ: "O Cidadão invisível" e documentário "Ônibus 174"
Objetivo: Sensibilizar o olhar e criar uma nova consciência demonstrando que a violência não é somente uma questão de segurança pública, mas, sobretudo, uma questão social e cultural.

4) Sondagem e diagnóstico dos resultados do trabalho
1) Proposição de um relatório sobre o filme.
2) Resolução de questionário: a) De qual modo as experiências pelas quais Sandro passou foram determinantes para a construção da personalidade do mesmo?; b) Podemos responsabilizar unicamente o Sandro pelo incidente da linha 174?; c) O que dentro das situações apresentadas no documentário podem ser classificadas como violência; d) O que você faria, caso houvesse alguma possibilidade, para modificar aquele enredo?; e) Qual o papel do Estado dentro do processo de sequestro do ônibus?

5) Encerramento
Encaminhar excertos de M. Gandhi  e poemas de Marshall Rosenberg.

Reflexão sobre o documentário:
ÔNIBUS 174
Diretor: José Padilha
Lançamento: 2002
Observação: O episódio ocorreu em 12 de junho de 2000.

terça-feira, 11 de junho de 2013

1º Guerra Mundial (1914-1919): Segunda Revolução Industrial e Tecnologia de Guerra

A Segunda Revolução Industrial produziu não só industrializados de primeira necessidade e outros tantas futilidades acessórias com maior eficiência, volume e em um prazo de tempo muito mais curto do que aquele observado até então.

A produção massificada e em série do Terror e da Morte também se intensificou profundamente no Século XIX, na medida em que as Potências Industrializadas Européias e Estadunidense buscavam criar reservas de mercado de consumo e investimento, tal como, áreas fornecedores de matéria-prima e mão-de-obra baratas na África, na Ásia, na Oceania e nas Américas.

Por sua vez, a perspectiva de um conflito era inevitável, pois, o objeto de interesse era comum. Afinal, é como eu digo para os meus alunos e alunas: BOTEM UM SÓ BOLO DE CHOCOLATE sobre a minha mesa e o divida em 4 pedaços. Haverá certamente disputa, dado que, somos 15 almas gulosas em uma sala!

Como aqueles que estiveram envolvidos com a guerra também eram humanos, não é difícil imaginar similaridade em alguns anseios. Deste modo, desenhou-se por todo o século XIX e início do XX um cenário que jogará todos os países europeus, suas áreas coloniais e o Império Turco Otomano, em guerra.

Que não cometamos o erro crasso de achar, então, que a Primeira Guerra Mundial foi um conflito entre países, como comumente os livros reproduzem. Um país, ou melhor, um Estado Nacional é um instrumento hierárquico controlado por um pequeno grupo de pessoas. Por sua vez, muitos dos países que estiveram envolvidos com a Primeira Guerra Mundial guardavam uma característica, no caso, as pessoas que controlavam o instrumento Estado eram escolhidas por voto. Digamos que ao escolher e eleger uma pessoa, aquele que votou transfere a autonomia que tem para conduzir a sua própria vida, para outra pessoa. Esta outra pessoa, por sua vez, a eleita irá governar com o uso do instrumento chamado Estado, a vida daquele que o elegeu, criando para isto Leis.

Como dentro desta forma de Estado aquele que consegue se eleger no geral acumula muito capital, não por acaso encontraremos operando o instrumento de governo político da vida dos cidadãos, a elite econômica. Com isto conclui-se que a Primeira Guerra Mundial é resultado da expansão do capitalismo e da orientação dos Estados Nacionais em prol do seu regime industrial.

Como fazer um cidadão se iludir e achar que está lutando pelo seu país?
É indispensável a todo cenário de conflito, a consolidação das identidades nacionais. Esta, por sua vez, dá-se de tal forma que onde a sua identidade só existe em contradição a outra. Evidentemente dentro do discurso, os elementos que caracterizam a sua identidade são postos em condições superiores àquela a qual se opõe.

Enfim, consolidar as identidades nacionais necessárias para se mascararem os verdadeiros motivos de uma guerra, no caso, o interesse das elites econômicas nacionais das potências industrializadas do planeta é fundamental dentro de uma perspectiva futura de conflito.

Assim, como nenhum(a) operário(a) europeu largamente explorado(a) pelas longuíssimas jornadas, tal como, pelas péssimas condições de trabalho, na altura de toda a sua consciência lutaria pela indústria de sabonetes Pears, ou pelas lâminas de barbear da Gillete, o sistema educacional e os veículos de comunicação se encarregariam de doutriná-lo nos valores nacionais. De tal forma, faz-se mais conveniente a luta quando acredita-se que a mesma dá-se porque a nação encontra-se em risco, ao invés, de se anunciar o verdadeiro motivo, no caso, o fato de que abrir novas fronteiras para os negócios, condição que só interessava as burguesias industriais dos países europeus.

Trabalhadores iludidos, tornam-se então soldados e vão morrer e principalmente massacrar em série os povos de tantos outros continentes, causando sem dúvida um dos maiores genocídios programados de nossa história para o bel prazer das grandes corporações multinacionais e do seu lucro.

Como toda e qualquer violência praticada que não encontre uma justificativa é tida como um ato tirânico e desumano era preciso legitimar a barbárie. Manter a opinião pública favorável a guerra era também uma maneira de domesticar o contribuinte e não causar prejuízo ao poder exercido pelos grupos que controlavam um Estado, cujo poder de governar vidas é transferido por voto. A propaganda de guerra e a parcialidade sempre perceptível da mídia cumprem com louvor o seu papel. Por sua vez, o romantismo literário, musical e plástico corroboram ainda mais o essencial movimento nacionalista que precede uma guerra. Do mesmo modo e não menos importante, as teorias racistas do século XIX fundamentadas por uma pseudo-ciência de procedimentos grosseiros, mas orientada para corroborar um discurso nacional fundamentado nas oposições: superior-inferior, civilização-selvagem, avançado-primitivo, etc. daria a sua essencial contribuição para a construção de uma mentalidade belicista.

É dentro deste contexto, tal como, do desgaste das relações diplomáticas que ocorre a morte do príncipe herdeiro do trono do Império Austro Húngaro.Dentro da elitizada mentalidade dos poderosos tratava-se de um homem distinto e isto por si só  encerra qualquer possibilidade de mediação da crise através do diálogo. Logo, quando não há diplomacia o recurso usado é o da violência e a morte de um homem fora o preciso pretexto que as grandes corporações multinacionais, senhoras do governo do Estado de vossos países, necessitavam para mover toda a máquina de guerra que consumira o tempo e a força de trabalho de muitos senhores, senhoras, homens, mulheres e crianças

Por fim, a corrida armamentista será uma situação inevitável para os Estados Nacionais, que controlados pela burguesia industrial, aspiram a vitória.
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Fonte: Wikipedia.
Metralhadora Lewis
Embora inventada pelo coronel americano Isaac Newton Lewis em 1911 o Exército estadunidense não foi o primeiro a usá-la. Antes a portaram belgas e, principalmente, os britânicos.

A sua importância reside em vários aspectos: 1) Portabilidade: pesando 12,7 kg, a Lewis possuia metade do peso da metralhadora padrão inglesa, a Vickers. 2) Operação: Outro ponto positivo é que a mesma podia ser operada sozinha, enquanto a Vickers colocava a necessidade de 6 à 8 homens para operá-la. 3) Custo de Produção: era 6 vezes mais barata que a Vickers. Não por acaso, a Lewis passou a esquipar também, tanques e aviões.

Ficha técnica
Peso: 12,7 kg
Comprimento: 96,5 cm
Calibre: .303 polegadas
Ação: operada a gás
Alimentação: tambores de 47 ou 97 cartuchos
Taxa de fogo: 550 tiros por minuto
Velocidade do projétil: 746 m/s

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Metralhadora Vickers
Após o uso maciço da metralhadora Lewis a Vickers não deixou de ser usada. Ao contrário, ganhou o status na Primeira Guerra Mundial de arma pesada. Tal denominação é fácil de se compreender, dado que, para ser operada a Vickers necessitava de um guarnição de seis a oito militares: um apontador, um municiador e os restantes para auxiliarem no transporte da arma, das munições e das peças sobresselentes.

A arma utilizava munição de 7.7mm, Mk.VII, (740 m/s) especialmente desenhada para produzir maior efeito no alvo aquando do impacto, o que permitia aumentar a sua eficiência contra a infantaria inimiga. A arma era alimentada por fita de tecido, com 250 munições.

Ficha Técnica
Criação: 1912
Peso: 19,2 kg (só a arma)
41,2 kg (conjunto da arma, com a manga cheia de água, e tripé)
Comprimento: 1100 mm
Comprimento do cano: 720 mm
Calibre: .303 pol / .50 pol
Ação: recuo com impulso a gás
Cadência de tiro: 500 tpm
Alcance efetivo: 700 m
Sistema de suprimento: cinta de 250 munições

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Granada de mão “nº 5”
Foi projetada por William Mills em 1915 e adotada pelo Exército britânico. Como é sabido de todos uma granada funciona facilmente quando se puxa a trava e se solta o pino. Internamente será produzida uma reação química que irá produzir a explosão, tal como lançar os estilhaços. Antes da explosão da granada, evidentemente, ela deve ser lançada.

O interessante da Granada de mão nº 5 é que ela também podia ser lançada de um rifle. Para tanto, bastava acoplar uma espécie de "copo" à boca da arma e o uso do cartucho vazio para a impulsão.

Mesmo com um longo delay, no caso, de 7 segundos da liberação do gatilho, a Granada nº 5 era de fásil uso e extremamente eficiente, tanto que fora usada pelo exército britânico até 1972.





Ficha técnica
Carga explosiva: baratol
Peso: 0,45 kg
Detonador: tempo
Delay: 7 segundos (esse tempo foi posteriormente reduzido para 4 segundos)

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Bombardeiro Gotha G
Os aviões não foram usados largamente ainda na Primeira Guerra Mundial, mas marcaram presença em algumas batalhas.

O Gotha G era um bombardeiro pesado, muito lento e vulnerável, principalmente, em ataques no seu ventre. No entanto, as suas investidas, sobre as tropas britânicas e até sobre Londres, causaram verdadeiro pânico entre os ingleses.

Ficha técnica
Tripulação: 3
Comprimento: 12,4 m
Envergadura: 23,7 m
Altura: 4,5 m
Peso (sem carga): 2,7 ton
Peso (carga máxima): 3,9 ton
Motor: 2x Mercedes D IV, de 260 hp cada
Velocidade máxima: 140 km/h
Autonomia: 840 km
Teto: 6 500 m
Armamento: 2 a 3x 7.92 metralhadoras Parabellum LMG 14

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Morteiro Minenwerfer 7.58 cm
Light Mortar alemão para uso da infantaria que entrou em serviço em 1916, junto com seus irmãos “maiores” (calibres de 17 e 25 cm). As rodas eram utilizadas apenas para transporte e eram retiradas durante o uso.

Os morteiros eram uma arma de guerra indispensável na guerra de trincheiras, justamente porque o projétil lançado pela arma cumpre uma parábola até acertar o seu alvo. Isto tornava-os, por exemplo, muito mais eficientes do que os canhões na destruição de posições defensivas.

Seu uso foi consagrado pelos alemães, que tiraram importantes lições da guerra nipo-russa em Port Arthur (1904), pois os perceberam que canhões não faziam grandes estragos em fortificações.

Ficha técnica
Peso do projétil: 4,6 kg
Calibre: 76 mm
Elevação: +45º a +78º
Taxa de fogo: 6 projéteis por minuto
Alcance efetivo: 300 a 1 300 metros
Velocidade: 90 metros por segundo

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Luger
Foi projetada pelo engenheiro austríaco Georg Luger no final do século XIX. Era uma pistola semi-automática, utilizada por oficiais alemães durante a Primeira Guerra.

A fácil portabilidade e a sua precisão, fruto do alto padrão de acabamento, estimulou a sua produção massificada.












Ficha técnica
Peso: 0,87 kg
Comprimento: 22 cm
Calibre: 7,65 mm ou 9 mm
Alimentação: tambor com 8 cartuchos

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Tank Mark I
O MARK I foi desenvolvido pelos britânicos. Não foi o primeiro carro blindado a ser criado, mas foi o primeiro a entrar em combate. A batalha de Somme em 15 de Setembro de 1916 foi o palco de sua ação.

Em resumo, um carro blindado abriu uma possibilidade que até, então, inexistiu no contexto da Primeira Guerra Mundial, no caso, o avanço na linha de defesa inimiga e isto por um motivo especial, no caso, as trincheiras.

Com a criação de um carro blindado, como o Mark I, equipado 

Ficha Técnica
Peso: 28 000 kg.
Comprimento: 9,94 m.
Largura: 4,33 m.
Altura: 2,44 m.
Equipe: 8 operadores.
Blindagem do veículo: 6 à 12 mm
Armamento: primário - Lado esquerdo com dois canhões QF de seis tiros,
lado direito com quatro metralhadora Vickers .303 mm.
Armamento secundário: Lado esquerdo com quatro metralhadoras .303 mm rotatórias,
lado direito com duas metralhadoras .303 mm rotatórias.
Motor: Um motor a gasolina Foster-Daimler 105hp
Alcance: Operacional - 6.2 horas de busca
Velocidade: 6.4Km/h


domingo, 28 de abril de 2013

Documento: MARX e ENGELS: Trecho do Manifesto Comunista

 
Friedrich Engels. s/ data.

Karl Marx. s/ data.

MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. O Manifesto Comunista.
Em 1848, foi publicado O Manifesto Comunista. Trata-se de um trabalho escrito por Marx a partir de um esboço que lhe foi apresentado por Engels. Este insistia em dizer que Marx era o principal autor do Manifesto, sendo ele um colaborador de menor importância. O trabalho foi elaborado a pedido do “Comitê Centra” da Liga Comunista, fundada em 1847, em Londres. A Liga procurava reunir alguns grupos revolucionários, então no exílio, que, apesar da repressão da época, entendiam ser seu dever organizar o movimento social dos trabalhadores dando a este um caráter revolucionário.

É importante salientar que as instruções do Comitê Central ao então jovem Marx (28 anos) foram feitas em 26 de janeiro, estabelecendo como prazo máximo para a conclusão do trabalho o dia 1º de fevereiro. O Manifesto representou um verdadeiro “programa” de ação dos comunistas, defendendo a ação radical dos trabalhadores e a derrubada pela força da ordem social vigente.

Enquanto você lê o texto, procure refletir sobre as seguintes questões:
1. Quais são os pontos básicos do Manifesto Comunista?

2. Quais os argumentos utilizados por Marx e Engels para justificar a afirmativa de que “a história de toda sociedade existente até hoje tem sido a história da luta de classes”?

3. Qual a importância histórica da última frase do Manifesto?

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A história de toda sociedade existente até hoje tem sido a história das lutas de classes.

Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, o opressor e o oprimido permaneceram em constante oposição um ao outro, levada a efeito numa guerra ininterrupta, ora disfarçada, ora aberta, que terminou, cada vez, ou pela reconstituição revolucionária de toda a sociedade ou pela destruição das classes em conflito.

Desde épocas mais remotas da história, encontramos, em praticamente toda parte, uma complexa divisão da sociedade em classes diferentes, uma gradação múltipla das condições sociais. Na Roma Antiga, temos os patrícios, os guerreiros, os plebeus, os escravos; Na Idade Média, os senhores, os vassalos, os mestres, os companheiros, os aprendizes, os servos; e, em quase todas as classes, outras camadas subordinadas.

A sociedade moderna burguesa, surgida das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classes. Apenas estabeleceu novas classes, novas condições de opressão, novas formas de luta em lugar das velhas.

No entanto, a nossa época, a época da burguesia, possui uma característica: simplificou os antagonismos de classes. A sociedade global divide-se cada vz mais em dois campos hostis, em duas grandes classes que se defrontam – a burguesia e o proletariado. (...)

Na mesma proporção em que a burguesia, ou seja, o capital, se desenvolve, desenvolve-se também o proletariado, a classe dos trabalhadores modernos, que só podem viver se encontrarem trabalho, e só encontram trabalho na medida em que este aumenta o capital. Esses trabalhadores que são obrigados a vender-se diariamente, são uma mercadoria, são um artigo de comércio, sujeitos, portanto, às vicissitudes da concorrência, às flutuações do mercado. (...)

Qual a posição dos comunistas em relação aos proletários em geral?

Os comunistas não formam um partido à parte, oposto aos outros partidos operários. Não tem interesses diferentes daqueles do proletariado em geral. Não formulam quaisquer princípios particulares a fim de modelar o movimento proletário.
O fim imediato dos comunistas é o mesmo que o de todos os outros partidos proletários: constituição dos proletários em classe, derrubada da supremacia burguesa.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

LIQUID MEASURE 3 - POISON PACK


Tá joguinho supimpa e desafiador. Sou fanzaço da série e jogo desde a versão número 1.

Basicamente, LIQUID MEASURE é um tipo de quebra cabeças que vai tomar um grande tempo do seu trabalho intelectual.

O Objetivo é encaixar os tubos de forma que o "Veneno", contido em recipientes de origem, preencham adequadamente e precisamente os reservatórios de destino, sem que haja excesso ou falta nos mesmos.

Para vocês, exercício para o cérebro.

Eu já o zerei. ^ ^













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LIQUID MEASURE 3 - Poison Pack
Tipo: Quebra-cabeças.
Habilidades exigidas: Raciocínio e Planejamento.

HEITOR GARCIA - Orientação de Monografias | 2013




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Base de estudos para os alunos que estou orientando no trabalho de pesquisa para produção de monografia.
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André Luís - Socialismo e Comunismo


Camila Magalhães - Getúlio Vargas e a CLT
PRADO, Maria Lígia. Populismo na América Latina.

FARIA, Antônio Augusto; BARROS, Edgar Luiz de. Getúlio Vargas e sua época.


Camila Pessano - Elisabeth I e a religião
Filme: Elisabeth I (1998) - Direção Shekhar Kapur


Gabriel Lima
SAID, Edward W.. Orientalismo. Cia das Letras.


Giovanna - Complexo de Vira-Lata
Isabela - Influência da publicidade na sociedade

BUCCI, Eugenio. Eu vi um Brasil na TV.

Documentário: Consuming Kids: The commercialization of childhood (EUA, 2008, 66min. Direção: Adriana Barbaro, Jeremy Earp)
http://apreenderhistoria.blogspot.com.br/2012/08/9-ano-feira-cultural.html


Natália Santana - Abraham Lincoln
KARNAL, Leandro. A Formação da Nação. Ed. Contexto.

JUNQUEIRA, Mary. A consolidação da Nação. Ed. Contexto.

FERNANDES, Luiz E.; MORAIS, Marcus V. de; PURDY, Sean. História dos Estados Unidos.


Matheus - Adolf Hitler
Documentário: Arquitetura da Destruição, 1989. Dir. Peter Cohen.


Rodolfo - Desenvolvimento Histórico da economia dos Estados Unidos
KARNAL, Leandro. A Formação da Nação. Ed. Contexto.

JUNQUEIRA, Mary. A consolidação da Nação. Ed. Contexto.

FERNANDES, Luiz E.; MORAIS, Marcus V. de; PURDY, Sean. História dos Estados Unidos.


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Indicações de Leitura

Hendrik - Educação no Brasil.
BOURDIEU, Pierre. Escritos de Educação.

Documento: KEHL, Maria Rita. Publicidade, Perversões e Fobias.

Maria Rita Kehl. Foto: Revista Cult.

Publicidade, Perversões e Fobias
Maria Rita Kehl
Fonte: 

Fetiches e Perversões
O casal jovem está sentado frente a frente na mesa de um restaurante caro. A cena reproduz o tipo de encontro que já está configurado no imaginário romântico de nossa época. É nas mesas de bares e restaurantes, frente a frente, que as pessoas flertam, se declaram, se encontram para conversar e namorar. Sabemos que o encontro amoroso, assim como todas as relações humanas, é atravessado por alguns objetos: a decoração da sala, a comida e as bebidas, as roupas e adereços dela e dele. O encontro amoroso não acontece entre dois; ele é mediado pela linguagem, que se faz presente também na forma de objetos que a cultura e a classe social consideram adequados para a ocasião. Assim o vinho, os talheres, a música ambiente, a comida e o preço da comida participam do encontro, demarcando e ao mesmo tempo preenchendo um intervalo entre os parceiros. Este intervalo, esta descontinuidade entre um e outro é que permite a circulação do desejo, como se fosse – mas não é – o puro desejo de um pelo outro.

Na cena que descrevo, o rapaz está tentando dizer algo à moça. Começa timidamente, hesita – o espectador percebe que ele esboça um pedido de casamento. Mas o olhar da moça é distante. Custamos a interpretar seu sorriso de polida indiferença, até que a câmera faz um giro e conduz nosso olhar para fora da janela, para onde o olhar da moça se dirige. Lá está um carro novinho, de cuja marca não me lembro (mas sei que é vermelho). Quando o noivo, cada vez mais embaraçado, termina seu pedido ela cai em si e pergunta: “desculpe, o que você dizia...?” A ironia é confirmada pela voz do locutor que alerta os espectadores para o objeto que realmente interessa às moças casadoiras. Se o rapaz não puder oferecer a ela o carro x, desista da empreitada.

O carro introduz-se entre os dois namorados não como um objeto a mais entre os outros – vinho, talheres, cardápio, preço – uma série cujos elementos podem sempre ser substituído por outros. Nessa propaganda, o carro não é um entre os muitos objetos mediadores do desejo (sexual); é ele, este artefato mecânico revestido de lata e tinta brilhante, que se instala no lugar de um dos parceiros como se fosse o próprio objeto do desejo. Se os outros acessórios fálicos recortam o lugar da falta a partir do qual o desejo circula, o carro x, que desvia a atenção da mulher no momento em que o homem lhe pede que seja sua esposa, está no lugar (imaginário) do objeto (simbólico) do desejo. Agora, o homem é que ocupa o lugar acessório; casar-se com ele seria, para ela, apenas um meio de acesso ao gozo/carro. O homem tornou-se supérfluo diante do único bem que interessa à moça de maneira absoluta. O carro é o objeto irrecusável do desejo, tanto dela quanto do espectador, convocado a identificar-se não com o olhar ingênuo do moço, que ignora o que sua noiva vê, mas com o olhar indiferente e sonhador dela, focando o carro zero estacionado do lado de fora. Ao contrário da mulher freudiana, esta personagem publicitária sabe exatamente o que quer; diante disso o pretendente, que lhe oferece o pobre substituto de um compromisso de amor, faz papel de otário.

Como bem lembrou Eugênio Bucci em vários de seus artigos sobre televisão para a Folha de São Paulo e o Jornal do Brasil, o apelo psicológico comum a todas as formas de publicidade visa à dinâmica da inclusão e da exclusão. A publicidade, escreve Bucci, vende sempre a mesma coisa: a proposta de uma inclusão do sujeito às custas da exclusão do outro. A identificação do espectador como consumidor do produto que se apresenta como capaz de agregar valor à sua personalidade promove sua inclusão imaginária no sistema de gosto, na composição de estilos, que move a sociedade de consumo. Goza-se com isso: não tanto da própria inclusão (que pode não passar de uma fantasia), mas da exclusão do outro. O que a publicidade vende, portanto, é exclusão. Não é imprescindível que a exclusão de seja de classe, como ocorre em outro anúncio em que os meninos de rua que pedem para tomar conta e limpar os carros ao preço de um real brigam pelo privilégio de polir o modelo top de linha de um feliz playboy que acabou de estacionar. A exclusão pode ser de estilo. Durante a copa, um comercial de cerveja mostrava um torcedor que errou ao oferecer uísque em vez de Skol aos amigos que foram assistir ao jogo em sua casa. Diante da gafe imperdoável, foram todos tomar a cerveja certa no bar ao lado, excluindo o anfitrião da alegria coletiva. Não foi uma troca de produto – a cerveja pelo uísque – mas de companhia. O uísque, bebida errada na hora errada, desqualificou o anfitrião perante seus amigos. Este mostrou-se tão otário quanto o pretendente da moça do primeiro comercial que não entendeu qual seria o verdadeiro objeto da sua paixão. É óbvio que a relação que se estabelece é entre as pessoas e as coisas. Ou entre as próprias coisas, que se relacionam, se avaliam e se atribuem significações na medida em que as pessoas (reduzidas a consumidores) se perfilam diante de suas marcas.

Aquela mulher que sabe o que quer, no entanto, não é o mestre do gozo na pequena peça publicitária que escolhi para abrir esse artigo. Se ela sabe que quer é porque um outro, em posição de mestria, lhe apresentou um objeto imperativo da satisfação garantida. Para nós, espectadores, o mestre é o publicitário. É ele quem dirige nosso olhar para o objeto que atrai o olhar dela. É ele quem promove a iniciação dos sujeitos desejantes, convocados desde o lugar de consumidores, em relação às possibilidades de gozo em circulação no mercado. Mas para a personagem do filme de propaganda, no qual a autoria do publicitário está elidida, o objeto do desejo se apresenta por conta própria, como por obra dos deuses do acaso. Ele entra em cena através de um giro da câmera que conduz, “naturalmente”, o nosso olhar; está ali, na calçada fora do restaurante, para que a moça reconheça em suas formas, em sua cor vermelha, mas acima de tudo na marca de fabricação, o objeto inquestionável do desejo.

Os deuses do acaso dispõem as mercadorias em circulação no mundo contemporâneo como o antigo Deus cristão dispunha das forças da natureza para abençoar ou castigar seus fiéis. Uma nova versão imaginária do Outro ocupa o lugar – lugar de um Ser onipresente, onisciente e onipotente – deixado vazio quando parte da humanidade deixou de orientar suas escolhas a partir da crença no Deus judaico-cristão. Um Outro que enuncia o que deseja de nós e promete suas bênçãos para aqueles que melhor se dispuserem a atender suas demandas. Este Outro pode ser, simbolicamente, o Mercado, filho enviado à terra por seu Pai, o Capital – abstrações sem nome e sem rosto que determinam nosso destino e, de um lugar simbólico fora do nosso alcance, nos submetem às leis inflexíveis do seu gozo. Pautar escolhas de vida segundo os ditames do Mercado, ou do Capital, para a maioria das pessoas parece mesmo uma questão de fé. Mas este novo Deus laico cuja face ninguém vê enuncia seus desígnios através da palavra revelada a seus sacerdotes; digamos que estes sejam os mestres da publicidade. São eles que exibem as imagens espetaculares de Deus [1] no altar onipresente da televisão.

Se o Outro é uma instância simbólica para a qual cada sociedade inventa uma versão imaginária, hoje o laço social é organizado com referência a um Outro emissor de imagens que se oferecem à identificação e apelam ao gozo sem limites. A televisão ocupa, para o psiquismo, um lugar equivalente ao de um mensageiro de Deus. A psicanalista Marie-Hélène Brousse, ao falar sobre a dimensão política do inconsciente [2] , recuperou uma conferência de Lacan de 1947 em que ele se dizia preocupado com a expansão da cultura industrializada que vinha promovendo meios de agir sobre o psiquismo através de “uma manipulação combinada de imagens e paixões [3] ”. Nos quase sessenta anos que se seguiram a esta conferência, os artifícios dessa manipulação de imagens e paixões não pararam de se aperfeiçoar.

Voltando ao anúncio que descrevi no início desse artigo: a imagem de um objeto se apresenta, entre o homem e a mulher, como condição indispensável para fazer existir a relação sexual. Sua presença promete realizar a fantasia impossível de perfeita complementaridade entre o moço e a moça. Instaura-se entre os espectadores a crença na existência de um objeto capaz de acionar o desejo sexual obturando a descontinuidade entre os parceiros; através dele, homem e mulher convergem para um mesmo ponto, no qual se encontram e se completam. Além disso, já que se trata de um objeto inquestionável, sua imagem tem o poder de apagar todas as diferenças entre os sujeitos que o cultuam.

Fetiche em Freud e Marx
Este objeto é o fetiche, conceito compartilhado pela psicanálise de Freud e o materialismo histórico de Marx. Em cada um desses autores o conceito de fetiche opera como analisador de uma dimensão das relações humanas: a sexualidade (em Freud), a exploração do trabalho (em Marx). Entre o marxismo e a psicanálise, a essência da idéia de fetiche – cuja origem remonta à adoração dos ícones sagrados em algumas religiões antigas – é a mesma, mas os campos onde o conceito opera são diferentes. O que pretendo discutir é que na sociedade contemporânea, as duas dimensões do fetichismo coincidem: o fetiche que apaga a diferença sexual encarna-se no fetiche da mercadoria, condição da circulação do que imaginamos ser a riqueza (expressa através das mercadorias) na sociedade moderna.

Em Freud, o fetiche é o objeto capaz de encobrir a falta já percebida pelo sujeito, inaugurando neste a possibilidade de sustentar, diante das evidências da castração uma dupla atitude – de saber e negação do saber – que pode ser resumida na formulação: “eu sei, mas mesmo assim...”. Por um lado, a dupla atitude diante da castração revela que, embora o sujeito tenha sido barrado pela Lei, as representações edipianas não sucumbiram todas ao recalque. Por outro lado, a posse do objeto/fetiche garante ao perverso uma via para o gozo sexual que dispensa a diferença, ou seja, a castração. O perverso fascina a histérica porque se apresenta diante dela como um mestre do gozo – um que conhece as condições de seu gozo e instrumentaliza o outro para que componha a cena de que ele necessita.

Nos casos analisados por Freud a fixação ao objeto fetiche como regulador das práticas sexuais perversas era mantida na privacidade que caracterizava (pelo menos até o início do século XX) os segredos de alcova. O perverso freudiano era perverso nos atos privados que diziam respeito à sua vida sexual. Esse limite da atuação perversa nos permite questionar o preconceito que incide sobre os perversos, inclusive em função do sentido moral que o significante “perversão” herdou do senso comum – onde perversidade é sinônimo direto de maldade. O caráter desviante, fora da norma, da sexualidade perversa, não nos autoriza a alinhar automaticamente as práticas perversas a uma estrutura psíquica mais propensa ao mal do que as estruturas neuróticas.

No capítulo dedicado às “aberrações sexuais”, em “Três ensaios para uma teoria sexual [4] ” de 1905, Freud concebe a perversão como permanência da sexualidade infantil na vida adulta. A perversão é o infantil na sexualidade. Aqui encontramos também uma pista para a diferenciação posterior feita por Lacan, entre as práticas perversas isoladas e a perversão como estrutura. Além disso, Freud afirma que a maioria das práticas perversas integra a sexualidade normal.

“Em nenhum homem normal falta a agregação de caráter perverso ao fim sexual”.

Pela mesma razão, Freud recusa-se a condenar moralmente as práticas perversas.

Outra passagem que nos leva a repensar a moralização da perversão é a afirmação de que o sintoma é a vida sexual do neurótico, e expressa a recusa do neurótico em tornar pensáveis suas fantasias sexuais. “Os sintomas não se originam dos impulsos sexuais normais (no neurótico), mas dos que se consideram perversos no sentido amplo da palavra e se exteriorizam direta e conscientemente em propósitos fantasiados ou em atos. Os sintomas se originam, em parte, às custas da sexualidade normal. A neurose é, por assim dizer, o negativo da perversão. [5] ”

O exemplo de neurose como negativo da perversão que Freud utilizou para ilustrar esse argumento é o das conexões da libido com a crueldade – no neurótico, que recalca as representações associadas ao desejo, a crueldade é freqüentemente atuada na forma de sintoma, sem que o sujeito consiga responsabilizar-se por ela. Nos perversos, integra-se ao erotismo. Neste sentido não há por quê considerar que os perversos seriam moralmente mais condenáveis que os neuróticos. É verdade que o artifício do fetiche funciona, nas perversões sexuais, para recusar a diferença entre os sexos que se manifesta, para o menino/homem, através da falta fálica aparente nos genitais femininos. Nem por isso podemos considerar que a diferença sexual (que remete à angústia de castração) seja mais intolerável para o perverso, que a recusa, do que para o neurótico, que a recalca. Com isso quero lembrar que o conceito de perversão, em psicanálise, não aponta necessariamente para um sintoma que afete o laço social. A leitura do Seminário 4 [6] de Lacan nos faz compreender que perverso não se exclui da Lei. Tanto quanto o neurótico, o perverso é um sujeito barrado que não quer saber disso; assim como o sintoma neurótico, o fetiche do perverso é um artifício para driblar as evidências da castração que já ocorreu, na passagem pelo Édipo. A diferença é que o recalque tem um papel menos determinante na perversão.

Em Marx, o conceito de fetiche (da mercadoria) remete ao brilho da imagem/mercadoria produzida nas condições do trabalho alienado sob o capitalismo industrial; o fetiche da mercadoria também encobre a dimensão da falta, se considerarmos que encobre o conflito que existe em sua origem, isto é: uma relação de exploração entre pessoas, no processo de sua produção. Uma relação entre pessoas é entendida pela sociedade como uma relação entre coisas, escreve Marx. A expropriação de tempo da vida do operário cedida gratuitamente ao capitalista na forma da mais valia é entendida como produção de riquezas. Também para o fetichista freudiano, a relação com o objeto/fetiche elimina a dimensão de alteridade aportada pelo corpo do outro (seja homem ou mulher).

A passagem do uso do conceito de fetiche em Freud para a teoria de Marx revela que a regulação fetichista das relações entre as pessoas, nas sociedades capitalistas, deixa de ser uma exceção perversa para se tornar uma regra. Em uma sociedade de mercado, o fetiche da mercadoria é um dos principais organizadores do laço social. Mas a diferença que o fetiche da mercadoria apaga não é (exclusivamente) sexual; ele apaga a diferença entre o capitalista e o trabalhador, entre quem vende e quem compra força de trabalho, entre quem lucra e quem cede mais valia. A mercadoria que brilha como pura positividade, como máxima expressão de riqueza, é um fetiche em função de sua capacidade de ocultar a miséria, a exploração e a morte investidas em seu corpo. Nas sociedades de consumo, o fetichismo é a normalidade. De uma forma ou de outra, em nossa religião cotidiana, participantes do sistema mágico que explora o trabalho como se isto fosse um bem, somos todos adoradores dos bezerros de ouro.

Nesse caso, poderíamos considerar que a sociedade seria toda perversa? A moça que se casa com o carro (aceitando o noivo como condição do contrato) poderia ser considerada, freudianamente, uma perversa? Penso que não. A personagem do esquete publicitário, que poderia ser qualquer um de nós, não possui a mestria que caracteriza o perverso, sobre as condições de seu gozo. Estas lhe são apresentada por um Outro, a cuja convocação ela apenas obedece. Ela seria presa da alienação que faz seu desejo responder ao desejo de um Outro. Nossa noiva ficcional se parece mais com uma histérica, submetida ou seduzida pelo mestre perverso que dita as regras do que ela deve ter para ser. Ao final desse jogo quem há de gozar não será a noiva, de posse do carro cobiçado. Ela há de ter, é claro, sua pequena dose de prazer. Depois, a inevitável insatisfação a levará a desejar outro modelo de automóvel, e mais outro, e mais outro. “Eu sou aquela que você diz que eu sou”, diz a histérica a seu mestre, condenando a si mesma à eterna insatisfação, uma vez que nenhuma resposta vinda de um outro será capaz de obturar o furo no ser. O que a dependência do mestre (re)produz, para a histérica, é a alienação que a separa cada vez mais de seu saber inconsciente. “A histeria é a doença do capital”, escreve Roy Schutzman [7] . Sob o capitalismo consumista, a feminilidade será embalada com os objetos que o mestre ordena que a histérica possua para ser – o que? Para ser, também ela, mercadoria em oferta ao gozo masculino. Disso a histérica há de gozar um pouco, mas nunca tanto quanto seu mestre, que na sociedade de consumo domina as regras do jogo perverso. Quando o mestre perverso domina o neurótico, é seu próprio gozo que ele trata de garantir. Nosso gozo fugaz de neuróticos submetidos às leis do mercado, embasbacados pelo brilho fetichista das mercadorias, serve ao Capital, único senhor cujo gozo não encontra limites.

A histeria é a doença da fase consumista do capitalismo, como a neurose obsessiva foi a doença da fase produtivista, que inclui a era freudiana. Entre o século XIX e a primeira metade do XX as sociedades industriais funcionariam segundo o modelo da neurose obsessiva. Grosso modo, diria que quando Freud criou a psicanálise, o imperativo moral apontava para o sacrifício e a renúncia pulsional. Cada geração tentava honrar sua dívida em relação ao patriarca, dívida cada vez mais difícil de pagar na medida em que a autoridade patriarcal ia sendo relativizada pelo liberalismo; assim, a dívida simbólica se manifestava como culpa neurótica. Na era freudiana a neurose obsessiva seria a norma, e a histeria surgiu como expressão emergente de mal estar, manifestamente entre as mulheres.

O que ocorre com os neuróticos, individualmente, quando em vez da neurose obsessiva, é a perversão que dita as condições do laço social? A paixão da instrumentalidade é a via para se entender os efeitos da perversão social sobre o neurótico. Trata-se da servidão voluntária do neurótico, capaz de fazer qualquer coisa para se colocar a serviço do gozo de um Outro. Sabemos até que ponto é possível a um mestre perverso submeter os neuróticos comuns. A adesão de grandes contingentes da sociedade alemã ao projeto de extermínio dos judeus, orientado por uma pretensa racionalidade técnico-científica e coordenado por uma Leviatan maligno, é prova do que os neuróticos são capazes quando são convocados por um Mestre perverso. Mas a perversão, no laço social, não produz sujeitos perversos. Produz neuróticos, aprisionados em sua paixão por se fazer instrumentos do gozo do Outro.

Na sociedade contemporânea em que, de maneira muito mais radical do que quanto Marx escreveu O Capital, todas as relações humanas são mediadas pela mercadoria – hoje, sob a forma predominante da mercadoria imagem – o laço social pode ser considerado perverso. Nesse caso, seríamos todos perversos? Muito pelo contrário: somos todos neuróticos submetidos, instrumentalizados para manter a condição fetichista da ordem social. A proposição freudiana da neurose como negativo da perversão favorece esta segunda hipótese. Como neuróticos, tentamos obter sob a forma sintomática, a partir de motivações inconscientes, o mais-de-gozar (ou a mais valia) que o perverso sabe conseguir na sua vida erótica.

A neurose é o negativo da perversão. Assim como o negativo de um filme contém as mesmas imagens foto revelada, a neurose mantém recalcadas, inconscientes, as representações do gozo sexual que o perverso conhece e revela. Neste sentido, o que o perverso realiza na privacidade de sua alcova pode ser menos problemático, do ponto de vista ético, do que a satisfação que o neurótico obtém através do sintoma, já que o sintoma está sempre articulado ao Outro e portanto, ao laço social. Mas é por isso mesmo que o neurótico pode ser facilmente instrumentalizado pelo perverso quando este se oferece a ele como mestre que conhece as condições de seu gozo.

Se o publicitário, munido das mais avançadas técnicas de pesquisa de mercado, sabe perfeitamente o que quer conseguir de seu “público alvo”, é ele quem está em posição de mestre do gozo em relação aos neuróticos que fazem (o que o Outro manda) sem saber o que estão fazendo. As eficientes técnicas de sondagens das motivações, tendências e demandas emergentes do público consumidor colocam ao alcance dos publicitários um saber que os tornam capazes de agenciar as motivações inconscientes dos consumidores e responder a elas com um produto, uma imagem, uma marca. No estágio atual do capitalismo, que poderíamos chamar, com Débord, de estágio espetacular, a alienação analisada por Marx vem se aperfeiçoando na medida em que o inconsciente trabalha para a acumulação de capital: com isso a servidão se torna cada vez mais voluntária.

O libertino e o tênis Nike.
O convite à perversão nas sociedades de consumo contemporâneas, regidas pelo imperativo publicitário do gozo – “tudo ao mesmo tempo agora” – parece uma caricatura das fantasias eróticas do Marquês de Sade. Sade queria um Estado republicano onde o gozo fundamentasse a Lei. A libertinagem no século XVIII é indissociável de uma utopia republicana pós-iluminista que visa libertar o homem da tutela da religião, do temor a Deus, da coerção das instituições e da autoridade do Monarca. No famoso libelo que se abre com a frase: “Franceses, ainda mais um esforço se quereis ser republicanos” pronunciado por Mirvel em A filosofia na Alcova, Sade propõe a criação de leis que invertam os termos da legalidade reinante e façam ... “a tranqüilidade e a felicidade do cidadão e o brilho da república” [8] . Na república libertina o maior crime seria resistir aos impulsos que a “natureza” (conceito caro aos herdeiros das Luzes) inspira ao homem. O ideal sadeano seria radicalmente o avesso do bom comportamento do neurótico: tudo que este recalca, aquele elegeria como ideais de eu. Dentre as paixões liberadas por este ideal, nenhuma exige maior liberdade do que a luxúria, a paixão mais despótica que existe, cuja realização requer que todos tenham o direito a gozar sobre todos, livre e indiscriminadamente.

Lacan apontou a impossibilidade de realização desse projeto, em “Kant com Sade”: o imperativo do gozo que rege a república sadeana seria a contrapartida do imperativo categórico kantiano, tributário do paradigma iluminista da universalidade da razão. O paradoxo libertino é que em Sade o princípio universal é justamente o egoísmo. Ele tenta fundar uma Lei categórica contra o caráter universal da Lei, que consiste exatamente em agir de tal forma a que o princípio de sua ação possa ser aplicado a todos os outros homens. Se a Lei kantiana pressupõe um homem que não desvie do conceito universal de Homem, a Lei em Sade privilegia a singularidade: uma Lei que se prestasse a ser interpretada de acordo com as conveniências de cada um. Para Sade, sendo os homens diversos entre si e fundamentalmente egoístas, “seria um absurdo palpável desejar prescrever, a propósito, leis universais. (...) É de uma horrorosa injustiça exigir que homens de caráter desiguais se submetam a leis iguais”. O paradoxo é que o imperativo universal do gozo – gozo que, pela própria definição de Sade, é individual, instauraria no coração da república libertina uma luta sem lei de todos contra todos, destruindo a própria utopia libertária enunciada em sua origem.

No entanto, esta utopia está mais próxima da vida contemporânea do que o próprio Marques poderia imaginar. No texto dedicado aos libertinos, em A dialética do esclarecimento, Theodor Adorno aproxima a república de Sade da vida contemporânea ao nos fazer compreender que a economia do gozo no projeto libertino é uma antecipação do cálculo burguês. O libertino antecipa o homem da sociedade liberal, capaz de adaptar o universal da Lei a seus propósitos privados e calcular a economia de seu gozo de modo a obter do corpo do outro o maior rendimento com o mínimo de esforço e sem nenhum sacrifício. Se o projeto libertino anuncia o que viria a ser a economia do gozo na cultura burguesa que se consolidou no século seguinte ao de Sade, isto significa que a perversão veio a se instalar no cerne das práticas que organizam o laço social na modernidade.

A passagem da fase produtiva para a fase consumista do capitalismo representou mais um avanço na direção da análise de Adorno. Hoje vemos aproximar-se a realização o delírio sadeano de uma república regida pelo imperativo do gozo. Na fase consumista do capitalismo contemporâneo a verdadeira mola do poder não é mais a repressão dos representantes pulsionais, mas a administração do gozo. É que depois de Adorno, o sistema se aperfeiçoou. Se os capitalistas dos primeiros tempos substituíram os personagens de Sade em seu poder de fazer o corpo do outro trabalhar para seu usufruto, os consumidores da modernidade tardia sentem-se todos, sem exceção, convocados a gozar da exploração concentrada no corpo das mercadorias. Além disso, a proliferação da mercadoria-imagem consolida a “democratização” do gozo uma vez que, se poucos têm acesso à posse das mercadorias, todos podem ter acesso ao gozo das imagens. Nesse caso a publicidade, que também é mercadoria, trabalha nas duas pontas da cadeia significante do fetichismo: de um lado, como série repetitiva de enunciados do mestre perverso que convoca os sujeitos – tornados histéricos por efeito dessa operação – a se identificar com os objetos de gozo que lhes oferece. E de outro como pura imagem de gozo, puro fetiche, ela própria uma mercadoria incluída na circulação dos produtos da exploração do trabalho alienado.

Entre os muitos recursos utilizados pela publicidade, a pornografia faz parte dos discursos circulantes e das mercadorias consentidas socialmente; o sexo se transformou em grande força econômica, ao mesmo tempo em que assistimos ao desaparecimento dos saberes eróticos, na linha apontada por Foucault: as ciências sexuais substituíram progressivamente na modernidade, a arte Erótica da antiguidade e do Oriente. Hoje, o lugar moral que era reservado ao sexo até metade do século XX foi ocupado pela cultura das “sensações corporais” e das tecnologias da saúde, enquanto as mais variadas imagens da cópula se oferecem a quem circula nas ruas, a quem assiste televisão ou lê jornais, como pequenas amostras-grátis que antecipam o gozo associado às imagens das mercadorias.

Além disso, a fantasia da Lei interpretada de acordo com o gosto de cada um, proposta pelo marquês de Sade, parece se realizar no “individualismo de mercado” que promete uma versão particular do gozo para cada consumidor. Os objetos de consumo se apresentam como substitutos materiais, inscrito no corpo Real das coisas, do objeto simbólico do desejo. Retrocedemos, assim, da economia simbólica do desejo para o império das necessidades. A força da coerção pulsional se precipita diante dos objetos de (suposta) satisfação que se oferecem como pura extensão do Real – como o carro vermelho disposto, por obra dos deuses do acaso (ou da natureza), bem no campo de visão da moça, na peça publicitária que analisei no começo desse artigo.

O imperativo do gozo, expresso na mensagem no limits que identifica uma simples marca de tênis, propõe que cada sujeito, individualmente, alcance para si um lugar acima dos outros, à margem da Lei. “Seja um tiger”, ordena um outdoor que oferece não me lembro qual produto para aumentar as chances dos mais aptos (ou dos mais espertos) na selva darwiniana da concorrência instituída pela acumulação de capital. Um tiger, o predador mais forte e mais voraz diante do qual todos os outros devem se intimidar.

A repetição incansável desse tipo de apelo faz-nos perceber a vida social como cada vez mais ameaçadora. Os significantes mestres, que são dispositivos reguladores do gozo, vêm se desdobrando em torno de mandatos da ordem do no limits. O efeito disso é um horizonte dominado pelo fantasma da regressão a uma ordem primitiva incapaz de impedir o acirramento da luta de todos contra todos.

[1] - “O espetáculo é o Capital que apenas se olha”, escreveu Guy Débord em A sociedade do espetáculo..

[2] - Marie-Hélène Brousse, O inconsciente é a política (2003) Seminário editado pela Escola Brasileira de Psicanálise, São Paulo.

[3] - Essa conferência, que data do pós guerra, foi pronunciada na Inglaterra no mesmo ano em que Adorno escreveu o texto antológico sobre a Industria Cultural.

[4] - Freud, “Três ensaios para uma teoria sexual”(1905) em: Obras completas vol.II. Biblioteca Nueva, Madri, 1976, pp. 1179-1237. Tradução de Luíz Lopes Ballesteros.

[5] - pp. 1189-1190.

[6] - Lacan, O Seminário 4 – as relações de objeto (1956-57). Rio de Janeiro: Zahar, 1995, versão brasileira de Dulce Estrada..

[7] - Roy Schutzman, The real thing: performance, hysteria and advertising. Londres, University Press of New England, 1999.

[8] - Marquês de Sade, A filosofia na alcova (1795). Salvador: Ágalma, 1995. Tradução e apresentação de Eliane Robert de Moraes. P. 192.