quarta-feira, 22 de junho de 2011

Feudalismo para o 7º ano: Baixa Idade Média (parte 3)

O Renascimento comercial do século XI

Observe o quadro abaixo:

População Européia nos séculos XI ao XIV

Ano

Habitantes

1050

46 milhões

1150

50 milhões

1200

61 milhões

1300

73 milhões

Fonte: HTTP://brasilescola.com/historiag/transformações-sociedade-feudal.htm. Acesso em 9 de maio de 2008.

Observe a tabela e responda.

1) Qual o título da tabela?

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2) Sobre o número de habitantes, em cada ano, o que podemos dizer?

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O fim das “invasões bárbaras”: A prosperidade que só vem com a paz.

No século XI não se via mais na Europa as invasões que marcaram com sangue por vários séculos a história da Era Medieval.

Finalmente os europeus que habitavam a região do antigo Império Romano do Ocidente, podiam respirar novos ares.

Eram novos os tempos e estes eram de paz. Certo é que nestes períodos, as sociedades prosperam.

E não havia de ser diferente. Com a pacificação vieram novas técnicas agropastoris para trabalhar no campo, como, por exemplo, a Rotação de Campos.


Observe atentamente o funcionamento da
Rotação de Campos (faça a leitura da direita para a esquerda):

Você notou que a produção de Aveia está “pulando” para o campo que está em repouso? E o Trigo, por exemplo, era plantando no campo onde a Aveia foi cultivada no ano anterior? Se você é bom, ou boa, de raciocínio como eu imagino, rápido notará que os europeus que utilizam a técnica da rotação dos campos não usam uma parte do campo por mais de dois anos.

“- Bem, mas porque eles fazem isto?” diria a ótima aluna, ou aluno, no caso, do tipo curiosa(o) que não agüenta guardar uma dúvida e sempre pergunta para matá-la.

Bom, é muito fácil entender o porquê da técnica de rotação dos campos.

O solo é como a gente. Precisa descansar para produzir bastante. Se não descansa fica estressado e produz pouco, é só perguntar para o professor de Geografia que ele confirma.

Vamos fazer, então, uma rápida conclusão.

Vimos que no século XI a Europa Ocidental deixaria de sofrer com as invasões dos “povos bárbaros”, logo, passaria por um momento de paz.

Vimos também que uma nova técnica para o cultivo de alimentos no campo estava sendo usada pelos europeus. Acrescente a esta nova técnica novas ferramentas como a charrua amarrada ao peito ou de cavalos ou de bovinos, e a disseminação dos moinhos de vento pelos campos europeus (criado no século XIII).

Deste modo:

com uma produção maior de alimentos

+

a paz pela qual a população vinha passando...

... teremos um aumento da população, como o demonstrado pelo gráfico no início deste texto.

Acima um desenho de uma Charrua.

MARÇO - Iluminura do Livro de Horas do Duque de Berry (Século XV) manuscrito com iluminuras dos irmãos Paul, Jean et Herman de Limbourg, conservado no Museu Condé, em Chantilly, na França.


O último moinho de vento do País com velas de madeira, localizado em Carreço, Viana do Castelo – Portugal.


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Com o aumento da produção, temos mais recursos do que aquilo que um reino consome, deste modo: COMÉRCIO!

Com a produção de alimentos em alta na Europa notaremos o ressurgimento pouco a pouco das cidades.

Claro que este ressurgimento não se dá por acaso, dado que, é nele que as trocas comerciais, historicamente sempre se realizavam.

Antes, nos cruzamentos de rotas comerciais, observar-se-á o surgimento de feiras medievais. “Nessas feiras, os mercadores montavam suas barracas e expunham as mercadorias, trocavam notícias sobre regiões distantes e fechavam negócios. Ali também circulavam mendigos, artistas populares – os saltimbancos – e cambistas, que trocavam os diversos tipos de moedas e emprestavam dinheiro a juros”. MOTOOKA, D. Y. Para Viver Juntos: história, 6 ano: ensino fundamental. SP: Edições SM, 2008.

Tempos depois muitos comerciantes e artesãos, migram para o interior dos castelos e os “aglomerados urbanos” que formaram receberiam o nome de forisburgo. Lá poderiam realizar os seus negócios sem a preocupação de serem assaltados.


Abaixo, mapa sobre as rotas comerciais nos séculos XIII e XIV.

Notem no mapa acima que há a realização de rotas terrestres com direção ao Oriente.


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Novo setor social enriquecido e a sociedade estamental da Idade Média

Com o renascimento do comércio na Europa, tal como, de suas antigas rotas, temos de considerar que por serem estas atividades altamente lucrativas, o setor que se ocupa da mesma, no caso, os mercadores (comerciantes) estão se enriquecendo muito.

Não tardará, portanto, para que estes mercadores enriquecidos se incomodem dentro de uma sociedade onde não há a possibilidade de subir socialmente.

Alguns até conseguem alguma façanha. Compram terras e títulos de nobreza (barão, duque, conde, visconde, marquês, etc)

Mas porque queria um comerciante enriquecido subir dentro da estrutura social da Idade Média?

Se você se lembra bem, a sociedade medieval tinha uma hierarquia rígida e o exercício do poder estava nas mãos de quem encontrava se no topo desta hierarquia. Esta, no caso, era a Igreja. Abaixo da Igreja se encontravam os nobres e só abaixo dos nobres encontravam-se os comerciantes.

Deste modo, os comerciantes se incomodam porque não possuem o poder de decidir ou participar das decisões, que tratam das suas vidas e dos seus negócios, dentro do reino onde moram.

Se você fosse, então, um comerciante na Idade Média, o que faria? Cruzaria os braços ou tentaria mudar a sociedade?

Bem, se optasse por mudar a sociedade teria muito trabalho, pois transformar as pessoas significa necessariamente transformar o pensamento dela.

Fácil de entender desta maneira a atitude de muitos comerciantes que nos séculos XIII à XVI patrocinaram artistas que ao se reencontrarem com a filosofia clássica (greco-romana) encontram também a razão, a ciência, o espírito crítico, a valorização do Homem como sujeito da ação (Antropocentrismo e Humanismo).

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A ligação do Renascimento Comercial com o Renascimento Cultural

Acabamos de apreender que toda nova atividade econômica acaba produzindo novos atores sociais.

+

Vimos, deste modo, que o Renascimento Comercial, produz novos atores dentro da sociedade comerciantes, banqueiros, mascates, entre outros.

+

Ainda, vimos também que muitos destes comerciantes (conhecidos como mecenas), enriquecidos, eram patrocinadores de artistas humanistas (filósofos, arquitetos, pintores, escultores, dramaturgos, cientistas, etc).

Notaremos, então, já no século XIII com auge artístico no XV e XVI um tipo de arte que irá produzir um discurso onde a razão e a ciência explicariam muitas das coisas no mundo.

Como eu sempre brinco com você e seus colegas em aula: “Se na Idade Média uma pessoa dizia que a chuva que acabou de cair é obra de Deus, com o movimento Cultural do Renascimento, observaremos outro tipo de explicação. No caso, um renascentista explicaria a chuva de maneira científica. Falaria, portanto, da evaporação da água. Do vapor de água, mais quente que sobe para as camadas mais frias, da formação de nuvens quando este vapor esfria até chegar na precipitação da chuva”.

Parece uma reflexão bobinha, mas não é. Quando Deus é usado para explicar todas as coisas, Ele, Deus é a medida de todas as coisas. Mais que isto, a instituição que se considera a única na Terra com legitimidade para levar com sua Palavra os fiéis ao Paraíso, na Idade Média, no caso, a Igreja Católica passa a ser também a medida de todas as coisas.

No entanto, quando o Homem passa a ser a medida de todas as coisas, é como se a criatura ganhasse a mesma, ou até maior importância que o Criador.

Leonardo da Vinci, “Vitruve Luc Viatour” (século XV).

O artista renascentista é a criatura. Mas a criatura criativa que se aproxima do Criador com as suas obras, com a Ciência e com o exercício da razão. Desta forma, observamos a perfeição retratada em muitas obras plásticas como, uma dentre as diversas do período, no caso, também de Leonardo da Vinci:

Observe atentamente e compare!

Leonardo da Vinci. Madonna with the Carnation. c. 1475

Madonna de Meister der Schule Von Nowgorod, 1380. Museé du Louvre.

Observe que na obra de Leonardo da Vinci, há um efeito da luz sobre o corpo. Há planos. “Hein professor, planos?!?! Como assim?!?!?” Simples, caro aluno ou aluna. No primeiro plano vemos a Virgem com Jesus sobre o colo. No segundo plano vemos a parede da construção onde se encontra a Virgem, e por fim no terceiro plano vemos uma paisagem. Todas são retratadas de forma realística, porque os renascentistas buscavam a perfeição e com a mesma se aproximar, como já foi dito do Criador.

Já na segunda obra, do século XIII, só há um plano e a representação é bi-dimensional sem efeitos de luz sobre os corpos e sem a proporção matemática que Leonardo da Vinci, quase um século depois demonstra no manuscrito acima: “Vitruve Luc Viatour”.


Para concluir vamos fazer a ligação do Renascimento com o fim do poder da Igreja na Idade Média, somando todas as informações que levantamos.

O Renascimento Comercial produz um novo setor social

+

Este novo setor social intenta participar das decisões políticas do reino

+

MAS a sociedade medieval não permite mobilidade social

“UAI porque professor?”

Porque a sociedade medieval é uma sociedade marcada pelos privilégios do berço,

ou seja, “filho de peixe, peixinho é”, ou melhor,

nasceu nobre, morreu nobre; nasceu pobre morreu pobre.

+

Alguns comerciantes ricos (chamados mecenas)

patrocinam artistas Renascentistas (humanistas).

Qual a importância do Renascentismo para o fim do poder da Igreja na Idade Média?

Os renascentistas ao recuperarem os clássicos da antiguidade (greco-romanos) necessariamente recuperam uma explicação do mundo e das coisas baseada na razão e na ciência.

Sim mas o que a razão e a ciência tem a ver com o fim do poder da Igreja?

=

Bem, a razão e a ciência, para explicar as coisas do mundo, se alimentam da dúvida. Um cientista sempre faz perguntas do tipo: Como? Por quê? Onde? Quem?

Com o tempo este modo de ver as coisas vai se popularizando.

E pior para a Igreja, que terá outro discurso competindo com a sua forma de explicar as coisas.

Ainda mais perigoso será quando algumas pessoas criticaram o pensamento cristão e o papel da Igreja se valendo da razão e a ciência.


Autoria do Texto: Alek Sander de Carvalho
Reprodução Comercial terminantemente proibida

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