sábado, 2 de abril de 2011

Feudalismo para o 7º ano (parte 2)

Introdução
Armadura do imperador Ferdinando I (1549) –
Museum Modern Art, NY.
Fonte: Enciclopaedia Brittanica.

O significado de Feudalismo, agora com a versão do seu professor!
Acabamos de analisar um vestígio do passado.
Ele, como todo vestígio, só existe porque um homem lá do século XIII, através de sua ação, deu existência concreta ao seu pensamento.
Estamos falando, no caso, não de qualquer homem, mas de Afonso X, chamado de “o Sábio”, por ser um grande estudioso.
Afonso, “o Sábio”, escreveu diversos livros em sua época. Dentre estes, o livro do qual o trecho que lemos, faz parte.
Este livro tinha o nome de Las Siete Partidas e, assim como, faz da Primera Partida até a sétima, ele cria umas séries de leis para os seus súditos de Castela.
Enfim, aquilo que de importante dá para se descobrir sobre a palavra feudo, o “sábio” e antigo rei já nos disse, cabe complementarmos o vestígio que nos deixou.
Então, vamos lá.
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Porque quando falamos de história a dividimos em grandes períodos?
Falamos de Pré-História, História Antiga, Feudalismo...
Em discussão na sala de aula vocês construíram um conhecimento a respeito disso.
Na ocasião disseram que é uma forma dos historiadores dividirem o tempo. Acertaram em cheio. Mas é mais do que isso!
Lembram que nós falamos em uma aula sobre as suas avós, mães e sobre as garotas da sala.
Conversamos sobre como elas viviam. Comparamos a vida que as suas avós tinham no passado com as vidas de suas mães, no presente. Falamos se tinham mais liberdades. Se eram mais donas de si e tinham mais escolhas.
Chegamos a conclusão, a partir da nossa comparação, de que todas eram muito diferentes. Quando nos perguntamos o porquê de serem tão diferentes, chegamos rapidamente a uma resposta.
Nossas avós são diferentes de nossas mães e de nossos pais, simplesmente porque elas possuem culturas diferentes. Enfim, porque elas apreenderam a ser diferentes.
Assim, se hoje sua mãe tem mais liberdade do que a sua avó é porque as mulheres apreenderam a ser deste jeito. Esta luta começou há muito, mas muito tempo. Ela ainda não terminou, mas os seus resultados positivos já podem ser notados.
As mulheres hoje, por exemplo, tem muito mais liberdades, são donas de si, mais respeitadas, mas é sempre bom lembrar que ainda há muitas coisas a serem conquistadas.
Conclusão: Mas o que de importante queria este professor mostrar para você?
Muito simples.
O que de mais importante eu queria que você notasse era a mudança que há entre o passado e o presente.
Como eu sempre digo: “Palavras diferentes significam coisas diferentes!”. Basta olhar a sua volta. Há um bocado de coisas com nomes diferentes: cadeira, mesa, caneta, amigos, amigas, borracha, etc.
A mesma coisa dá-se com a História.
Se nós chamamos os grandes períodos de tempo de: “Pré-História”, História Antiga, Feudalismo, História Moderna, História Contemporânea, também não é por acaso.
Nomes diferentes significam coisas diferentes.
Mas o que há de diferente em cada um destes nomes acima? Qual a mudança, ou melhor, o que ou quem muda?
Quem muda somos nós seres humanos e nos tornamos diferentes, porque ela, a própria cultura muda.
É a Cultura quem constrói o nosso pensamento e nós estamos sempre através dos nossos atos dando existência ao nosso próprio pensamento, a nossa própria cultura.
Assim, se chamamos um período de tempo de Pré-História é porque os seres humanos que viveram nesta época eram diferentes por terem uma Cultura diferente. Por sua vez, os seres humanos que viveram na Antiguidade, também possuíam Culturas diferentes.
Logo, o FEUDALISMO (ou Idade Média, ou Idade Medieval) é um período de tempo onde os seres humanos tinham uma Cultura bem particular, o que os tornavam diferentes de outros seres humanos dentro de toda a História.
O que aprendemos com Afonso X, “o Sábio” rei de Castela é que: feudo é tudo aquilo que é doado por alguém.
Este alguém (o doador) não é qualquer pessoa, pois só doa alguma coisa quem tem algo pra doar.
Podemos dizer, então, que na Idade Média quem doava o feudo tinha poder e quem o recebia tinha menos poder do que aquele que doava.
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Fonte: BARBOSA, Elaine Senise. História. Curitiba: Positivo, 2005.
Mas que coisa seria esta que chamamos de feudo?
Um feudo nada mais era do que um pedaço de terra, doado por quem tinha mais terras do que precisava, certo!
Só que também naquela época ninguém dava nada de graça. A pessoa que doava a terra cobrava favores daquele que a recebia.
Estes favores iam desde fidelidade, a auxílio militar, pagamento de impostos, entre outros.
Afonso X, “o Sábio”, que viveu no século XIII, nos dá um testemunho sobre o que é feudo. Faz mais que isto quando dá nome aquele que doa a terra e aquele que recebe.
Afonso nos diz que o feudo, que é um pedaço de terra, “é o benefício dado pelo senhor”. Este senhor era chamado também de rei, por aqueles que recebiam a doação.
Por sua vez, o rei chamava aqueles que recebiam a doação de vassalos ou súditos.
Mas se engana quem pensa que somente os súditos tinham obrigações para com o seu senhor e rei. O rei também tinha as suas obrigações para com os seus vassalos.
Vamos novamente ao vestígio, só que este deixado por outro ser humano que através da sua ação deixou-nos um importante registro:
Texto do bispo Adalbéron de Laon, escrito no século XI.
“A sociedade dos fiéis forma um só corpo; mas o Estado tem três corpos: com efeito os nobres e os servos se regem pelo mesmo estatuto (…) uns são os guerreiros, protetores das Igrejas; são os defensores do povo, tanto dos grandes, como dos pequenos (…) A outra classe é a dos servos: esta desgraçada raça nada possui senão à custa de sofrimento. Dinheiro, vestuário, alimento, tudo os servos fornecem a toda a gente; nem um só homem livre poderia subsistir sem os servos. (…) O senhor é alimentado pelo servo, ele, que pretende alimentá-lo. (…)
A casa de Deus, que cremos una, está pois, dividida: uns oram, outros combatem, e outros, enfim, trabalham. (…) Os serviços prestados por uma das partes são a condição da obra das outras duas; e cada uma, por sua vez, se encarrega de aliviar o todo(...) É assim que a lei tem podido triunfar e que o mundo tem podido gozar de paz.”
Apud: LE GOFF, Jacques. A Civilização do Ocidente Medieval. Lisboa: Editorial Estampa, 1984. v.2.p2 45-46.
Agora vamos responder algumas questões sobre este riquíssimo texto!
1) O bispo, que viveu no século XI, chama a sociedade da época de sociedade dos fiéis. Por qual motivo você acredita que ele fala deste jeito?
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2) O bispo diz também que o Estado tem 3 corpos. Quais seriam estes?
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3) Qual a função de cada corpo dentro do Estado, segundo o bispo?
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4) Juntando as informações das questões anteriores diga como era a sociedade medieval.
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5) Podemos encontrar esta mesma divisão da sociedade na figura? Justifique.
Iluminuras de Jehanequin de Limburg .
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Conclusão
Quem doa a terra
Podemos concluir, então, que o feudo é uma porção de terras que foram doadas por quem as tinha. O doador das terras era chamado de: senhor feudal; rei; ou suserano.
O senhor feudal era também um chefe militar e isto fica muito claro no vestígio deixado pelo bispo Adalberón de Laon. Só podemos falar de chefes militares se há uma tropa para ser comandada. Deste modo o suserano além do poder que vinha da posse das terras, tinha também o poder que vinha da posse das armas.
Quem recebe a terra doada
Aquele que, por sua vez, recebia a doação era conhecido como vassalo. Este vassalo podia ser de dois tipos.
1º - Caso o vassalo fosse um nobre (chefe militar como o suserano) e fosse provado o valor da fidelidade do mesmo, o suserano doava lhe uma parte desocupada do reino, para que ele nobre vassalo pudesse ocupar e erguer um reino.
2º - Por sua vez, caso o vassalo fosse um camponês recebia a doação de uma porção de terra onde pudesse erguer a sua moradia e trabalhar na terra.
As relações sociais
As relações entre as camadas sociais na Europa Medieval eram marcadas, sobretudo, pela obrigação, pelo favor e pela fidelidade, mas não só por elas.
Veremos, a seguir, que a religião cristã tinha uma importância imensa na Idade Média.
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O poder da Igreja Católica Apostólica Romana na Idade Média.
Europa Medieval: Um mundo violento onde a morte fazia parte do cotidiano.
“A Dança da Morte” (Dagger sheath, 1521) por Hans Holbein. A morte era um tema muito representado na Idade Média. Fique atento a esta figura porque abaixo você querido aluno ou aluna a descreverá, buscando preciosas informações noutro documento, no caso, o poema posto abaixo.
A morte nos faz cair em seu alçapão,
É uma mão que nos agarra
E nunca mais nos solta.
A morte para todos faz capa escura,
E faz da terra uma toalha;
Sem distinção ela nos serve,
Põe os segredos a descoberto,
A morte liberta o escravo,
A morte submete rei e papa
E paga a cada um seu salário,
E devolve ao pobre o que ele perde
E toma do rico o que ele abocanha.
(Hélinand de Froidmont. Os Versos da Morte. Poema do século XII, 1996: 50, vv. 361-372)
DESAFIO: Descreva a narrativa que é retratada na imagem feita por Hans Holbein.
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Como nós vimos o final do Império Romano Ocidental foi bem melancólico. Além dos problemas internos por qual Roma passava, as guerras de invasões e saques promovidas pelas tribos vindas do norte da Europa, foram determinantes para marcar a realidade do mundo europeu com a violência e a morte.
Deste modo, chegar aos 40 anos dentro da Idade Média era motivo o bastante para ser considerado muito velho. A expectativa de vida era baixíssima e não só a guerra era a responsável por uma longevidade tão baixa.
Epidemias de fome como as do século XIV ocasionaram a morte de milhões de europeus, tal como, o infanticídio de muitos recém nascidos, o abandono de crianças e idosos, suicídio, casos de canibalismo e o aumento da criminalidade. Uma desestabilidade climática que produziu invernos severos com verões muito chuvosos, mas também a baixa produtividade no campo, podem ser apontados como as responsáveis.
“O triunfo da morte” 1562, quadro de Pieter Bruegel (Museu do Prado). Não é possível ver os detalhes da imagem recomendo que você entrem no blog apreender história para verem com atenção tudo aquilo que é retratado no quadro. Opa você já esta aqui ^ ^.
Por sua vez, doenças mortíferas como a peste negra, transmitida por ratos que se proliferavam em meio a cidades e vilas sem condições mínimas de higiene, tornavam os índices de morte ainda mais assustadores. A expectativa de vida, por exemplo, segundo alguns pesquisadores despencaram para uma média aproximada de 18 anos. Estes mesmos pesquisadores estimam que somente a peste negra matou 1 entre cada 3 pessoas que habitavam o continente na época (não há precisão nos dados, mas certamente foi algo entre 25 e 75 milhões os números de pessoas que morreram vitimadas pela peste bubônica na Europa do período).
As Tentações de Santo Antão (1512-1516), trecho do quadro de Matthias Grunewald. Note que na representação a pessoa infectada pela bactéria Yersinia pestis, transmitidos pela pulga que infesta ratos pretos [(Rattus rattus) muito raro de ser encontrado atualmente], aparenta uma cor azul esverdeada, resultado da degeneração da hemoblogina (pergunte para a professora Juliana o que é hemoglobina) e das diversas hemorragias internas que a mesma causa.

Caso recente de lesão causada por peste bulbônica. Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/151015_peste_eua_tg

Conclusão
É dentro de um mundo medieval cheio de morte, dor e violência diária que o poder da Igreja se constrói. Afinal, como arrumar força para sobreviver em um ambiente tão hostil a vida, senão na fé, na crença de que a vida terrena é passageira e aqueles que passam pelo calvário na mesma, atingiriam ao final da vida terrena, a eternidade no Paraíso.
O presente, o hoje, o agora perde, então, o valor para as pessoas da Idade Média. Até porque como valorizar um presente onde só acontecem coisas horríveis? De tal forma, para diminuir a aflição dos mesmos tinha se uma fé imensa no futuro, ou melhor, na idéia de um PARAÍSO que recompensaria a dor terrena sendo o seu mais completo avesso.
É neste cenário, portanto, parecido com o de um filme de terror, que o catolicismo irá conquistar espaço. O desprendimento, o esquecer-se de si e a meditação possibilitada por uma oração, será a fuga da violência do mundo medieval.
Ao crescimento da fé em Cristo observa se o crescimento do poder da Igreja Católica Apostólica Romana na época medieval.
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Como acabamos de ver logo acima o cotidiano violento da Idade Medieval ofereceu um cenário adequado para o crescimento do poder da Igreja.
Sabemos que os cristãos em seus primeiros anos e por muito tempo depois, foram duramente perseguidos pelo Império Romano. Não foram raras as vezes que os imperadores romanos ordenaram a perseguição e a execução de cristãos. Tácito (século I) em sua obra Annales, historiador de Roma, deixou-nos documentado episódio ocorrido na época do imperador Nero:
“... uma grande multidão foi condenada não apenas pelo crime de incêndio, mas por ódio contra a raça humana. E, em suas mortes, eles foram feitos objetos de esporte, pois foram amarrados nos esconderijos de bestas selvagens e feitos em pedaços por cães, ou cravados em cruzes, ou incendiados, e, ao fim do dia, eram queimados para servirem de luz noturna”.
A perseguição aos cristãos seria interrompida pelo imperador Constantino I que no ano de 313 legalizaria a religião no Império Romano através de uma famosa lei, no caso, o Edito de Milão.
Fragmento de uma estátua de Constantino.
Outro imperador, Teodósio I, faria mais que Constantino pelos cristãos, tornando no caso o cristianismo a religião oficial do Império Romano no ano de 380.
A partir de então e cada vez mais a Igreja Católica consolidou o seu poder na Idade Média.
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O texto acima é de autoria de: Alek Sander de Carvalho e a sua reprodução comercial está proibida.

2 comentários:

vitoria hellen disse...

foi muito bom ensina muito bom muitas figuras ensina bem.

Professor Alek disse...

Obrigado Vitória. Aos poucos vou alimentando com novas postagens históricas o site. Continue acompanhando. ;)