domingo, 23 de agosto de 2009

PT 1-Era Vargas

Era Vargas
A "Revolução" de 1930
Introdução
Começamos a discutir o tema da revolução de 30 pelos seus antecedentes, isso porque acreditamos ser impossível compreender algum processo histórico sem recuar alguns anos, ou até mesmos séculos, para entendermos os “porquês” de muitos fatos que ocorreram e ocorrem.
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Assim, iniciamos os nossos estudos, a partir, dos Modernos da Semana de 22, sob o mote de que nenhuma mudança é possível se o pensamento permanece estático. Dito de outra forma, se o pensamento muda há possibilidade do mundo mudar, na condição, evidentemente, de que se pratique uma ação pra tornar concreto este pensamento.
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Alunas e alunos, é importante entender, sobretudo, a linha que estou dando as aulas. Vamos lá!
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1º ponto importante: As elites econômicas são as elites políticas
Antes de iniciar qualquer discussão, é importante lembrar meus caros e minhas caras, o que significa ter o poder dentro de uma sociedade. A conclusão que pretendi alcançar em discussão conjunta com todos era tornar claro que ter o poder em uma sociedade não significa somente ser rico ou ter dinheiro. Ter poder significa muito mais que isso e é, inclusive, o que diferencia um pequeno burguês dono, por exemplo, de uma barraca de pastéis, dos acionistas das grandes corporações multinacionais.
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“-Ai ai ai professor, onde tu quer chegar?” me perguntariam. É simples, honoráveis.
O que significa “ter o poder” dentro de uma sociedade é possuir o poder de fazer a política. Ou melhor, ter o poder político significa ter o poder de decidir. Mas decidir sobre quem? Não há poder se não há sobre quem exercer poder. Logo, ter poder significa tornar o outro de alguma maneira dependente. Juntando agora tudo o que eu disse: Ter poder é ter o poder de fazer a política e quem faz a política governa a vida do outro. Logo, quem governa a vida do outro, tem poder.
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Por exemplo, o outro, que hoje somos nós, ao votarmos transferimos para um representante aquela capacidade da qual jamais deveríamos nos desfazer, no caso, a de nos governarmos. No entanto, o voto que transfere esta capacidade, ainda nos coloca como sujeitos incapacitados de nos governarmos, pois o voto significa, segunda a cultura política atual que bebe no Iluminismo (tá complicando professor!), que precisamos da tutela de “governantes ilustrados e bem capacitados” para dirigirem as nossas vidas. Sem dúvida um erro o qual pagamos muito caramente!
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Para concluir, o que deve ficar claro é o seguinte: Na República do “Café com Leite” quem detinha o poder político eram as elites econômicas, mas não qualquer elite econômica. Eram as elites agrárias e latifundiárias (donas de grandes propriedades de terra), mais especificamente as elites paulista e mineira, que através de um pacto que revezava ora o representante de uma elite, ora o de outra, na presidência, governaram o país, em sua fase republicana, de 1889 até 1830.
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Conseqüentemente, o seu fazer político e os resultados deste não poderiam ser outros senão o de satisfazerem os seus próprios interesses, não abrindo espaço para outros.
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2º ponto: Para superar as antigas forças são necessárias novas
A partir disso, já começa a ficar mais fácil o entendimento de como a Primeira República (República Velha ou República do ‘café com leite) chegou ao fim. As conclusões que procurei deixar claras foram as de que: só é possível superar as antigas forças com o surgimento de novas! Mais importante que isso, só é possível superar velhos hábitos, costumes, e pensamentos através de uma ação que tenha como base um novo pensamento, que coloque novos hábitos e novos costumes. Discutimos os modernos da semana de 22 também por causa disso, certo!
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Enfim, qual fora o novo que começara a corroer as antigas estruturas e o poder político das elites econômicas e agrárias de então? Podemos começar a responder desta maneira, caríssimas e caríssimos:
1) O excedente de capital gerado pela comercialização de café proporcionou uma acumulação que veio a ser investida na indústria;
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2) A Primeira Guerra Mundial estimulou a aceleração da expansão industrial, na medida, em que a indústria dos países europeus envolvidos na guerra estava engajada para repor a sua máquina militar;
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3) A expansão industrial dá impulso a expansão urbana que assinala o surgimento de uma classe média mais desejosa de mudanças políticas.
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4) Este contexto gera uma nova elite econômica (burguesa) que começa a intencionar espaço político, mas é frustrada pela estrutura de gerenciamento e exercício de governo da República Velha;
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5) O operariado é massacrado pelo patronato, pois apesar de se declararem os pilares do desenvolvimento nacional, tratam seus funcionários com a mesma mentalidade de um senhor de engenhos; conseqüentemente o operariado luta por direitos humanos básicos, mas também são rechaçados pelo esquema de Estado da República Velha;
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6) O movimento tenentista, de natureza militar, inicia a partir de 1922 uma série de conflitos contra o governo buscando conquistar a efetivação de diversos desejos contrários predominantemente às práticas políticas de então.
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3º ponto: As elites agrárias em crise moral e financeira
Posto isto, não devemos esquecer que os reflexos da crise de 1929 foram sentidos pesadamente no país não só pela maioria dos setores despossuídos da sociedade, mas, também pelas elites econômicas, que montadas em cima de uma estrutura que tinha o grande latifúndio monocultor e agro-exportador como pilar, viram os preços do café despencarem por conta da superprodução e da quebradeira geral que assombrara o planeta naquela época.
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A solução do Governo, não causou espanto, pois estando as elites econômicas envolvidas com o “fazer político”, socializaram as perdas, estendendo a toda sociedade o custeio da compra do excedente de café pelo governo, o qual, era depois queimado com a intenção de que esta prática viesse a ocasionar um aumento no seu preço.
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yo

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